Sei que esse blog é para falar de amor, humanização, respeito e muita ocitocina na veia, porém hoje passei por uma situação muito incômoda, onde recebi a primeira parte (metade) da minha prestação de serviço e infelizmente a gestante acabou em uma cesária, e por isso o casal contratante me pediu o ressarcimento desse valor e eu respondi que não iria devolver pq isso já fazia parte da minha consultoria e disponibilidade e que eu havia mandado um contrato pelo e mail, porém na minha inocência ou burrice mesmo, não imprimi e não assinamos nada, por achar que esse tipo de burocracia não fosse necessária, mas infelizmente eu estava enganada, e ao me recusar à devolver à quantia, fui tratada de uma maneira que me fez repensar e até mesmo questionar meu trabalho como doula, mas depois de muito pensar, inclusive boa parte da madrugada, pois isso realmente mexeu comigo, não pela quantia, mas pela total desvalorização e desmerecimento do meu trabalho, consegui entender que não estou sendo injusta e muito menos desonesta...
E por isso, para evitar outras situações como essa, resolvi falar de valores e explicar futuros questionamentos sobre o meu trabalho e de tantas outras doulas.
Vale à pena ter uma doula?
Na minha opinião, se uma mulher realmente busca um parto normal humanizado e respeitoso, uma doula faz toda a diferença no pré parto, parto e pós parto, primeiro por toda informação, indicação de profissionais, maternidades, esclarecer todas as mentiras e mitos do sistema cesarista e com isso trazer o empoderamento dessa gestante e segundo porque na hora do parto ela se torna essencial com métodos de analgesia, posições , enfim proporcionando conforto físico e emocional e trazendo, nas horas mais difíceis, o incentivo que ela tanto necessita.
O que está incluso nessa prestação de serviço?
No meu pacote está incluso:
Uma ou duas consultas pré- parto, e isso depende do tempo de gestação, pois às vezes a gestante nos procura com mais de 37 semanas e acaba sendo apenas um encontro, todo o trabalho de parto independente se ele dure 2 ou 48 hs, eu estarei lá enquanto ela precisar de mim(já deixei minha família e literalmente acampei na casa da gestante por 2 dias por um falso trabalho de parto e não cobrei nem um centavo à mais por isso, tem doulas que não trabalham dessa forma, mas esse é a minha forma de atendimento) e depois do parto uma visita com auxílio à amamentação.
É realmente necessário pagar a metade antes do parto? Por que?
Ao meu ver é necessário, pelos seguintes motivos: Por mais que eu ame ser doula, esse é o meu trabalho, isso teve e tem um custo e faz parte do sustento da minha família, mas infelizmente, no começo da carreira eu dizia que me pagasse depois, eu prestava todo atendimento, fazia as consultas, tirava todas as dúvidas, ficava com as gestantes uma noite inteira e às vezes por pressão familiar ou problema realmente sério, elas acabavam indo para a cesária e simplesmente eu ficava sem receber absolutamente nada por esse serviço, por isso hoje eu faço questão dessa primeira parte.
Não são apenas as consultas que estão inclusas nesse primeira parcela, mas sim a minha disponibilidade 24 hs por dia, por telefone ou por internet, quando tenho uma gestante com o parto aproximado eu não viajo, nem mesmo vou à lugares que não tenha acesso ao telefone, só aceito outra gestante com a mesma data de parto se a mesma aceitar ser atendida pela minha backup caso os partos ocorram no mesmo dia, estou sempre apoiando, explicando, incentivando, tirando a ansiedade, enfim sendo sua doula em tempo integral.
O que mais me magoou foi o argumento que esse marido usou na hora de me cobrar a devolução do dinheiro, foi falar que eu só tinha feita uma consulta de 40min. e ainda tinha ganho carona e não gastei nenhum centavo p isso, até a carona ele jogou na minha cara, pois naquele dia ela me pegou no HT à 2 min. da casa dela e me trouxe em casa pq estava chovendo muito, se eu soubesse que sairia tão caro, sinceramente teria vindo à pé na chuva!
Não, não foi uma consulta de 40min., eu não sei o tempo, pois meu trabalho eu não conto nem em horas quanto mais em minutos, mas sim três anos de estudo e dedicação, o amor e orgulho que eu sinto pelo meu ofício, e nenhuma pessoa vai me tirar isso...
E se a gestante efetuar o pagamento e acabar em cesária ou a doula for impossibilitada de entrar no CO pelo hospital?
Todo tipo de prestação de serviço, quando é assinado um contrato, sempre pagamos uma parte do mesmo, e se houver algum tipo de imprevisto da parte do contratante, o contratado não devolverá essa quantia.
Vou dar o exemplo de uma festa de casamento, quem já casou sabe que desde a locação do vestido de noiva até o mesa de doces do final de casamento, nós temos que dar sinais de pagamento e isso não sai nada barato, e se o casamento não acontecer? E se a noivo abandonar a noiva à um dia do altar ou acontecer algum acidente, doença, morte na família, imprevistos acontecem...Posso afirmar que nenhum desses prestadores devolverá o dinheiro investido, pq tudo foi reservado para aquele dia e ninguém sairá no prejuízo, à não ser os noivos!
Mas posso afirmar que se por algum motivo o contratado não conseguir cumprir o seu papel e o mesmo seja um profissional honesto e com ética ele devolveria o valor pago...
Carla Bichara
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Parto Domiciliar, Respeito, Amor e Ocitocina...
Na verdade a gestação da Paola me trouxe muitos presentes, a minha amizade com o Paola , o Thiago e sua família amorosa, adorei acompanhar esse momento tão especial! O privilégio de doular o primeiro parto domiciliar, quando eu ouvia os relatos de casais com outras doulas, eu sonhava com esse momento, pois em casa, a gestante pode vivenciar o seu parto de uma maneira muito mais intensa e não tem a preocupação de como vai ser a recepção e o tratamento em um hospital. E o último e não menos importante, foi conhecer as meninas lindas do Grupo Empodera Fabíola e Deise ...como eu disse à elas, hoje eu sei que encontrei minha tribo! E para completar a felicidade, ainda tivemos o privilégio de ter ao nosso lado a fotógrafa e artista Marcia Kohatsu, que conseguiu captar e transmitir tudo o que vivemos nesse dia...Marcinha vc nasceu para isso!
A informação e o empoderamento fazem toda a diferença, pois em todo tempo a Paola se mostrou corajosa, guerreira e protagonista do seu próprio parto. O parto com certeza foi só dela, mas a festa foi nossa! A Paola foi tão carinhosa, nos esperou com tanto carinho, frutas, até pudim tinha para nos recepcionar, e como se não bastasse, fomos acolhidas como parte da família pelo seu marido, pai, mãe e irmãs...
O que mais me marcou foi quando eu estava segurando a mão da Paola em meio às contrações, e o pai dela chegou do outro lado segurou a mão dela e disse que era p ela ter força e que ele ficaria ao seu lado e a Paola chorou de dor, de emoção, de realização, chorou de tanto amor...eu não contive as minhas lágrimas e chorei junto (impossível não chorar), olhei p a Fabi e ela chorava também! Se tem uma coisa que mexe comigo, é a paternidade, um pai amoroso e presente como o Melchior, a intimidade e a cumplicidade de pai e filha me marcaram demais, e para completar estava tocando a música "Tocando em Frente" do Almir Sater que eu acho linda demais!
E por falar em pai, o Thiago foi demais, atencioso, carinhoso de um jeito ansioso, fofo e atrapalhado de um pai de primeira viagem que ama muito seu bebê, parabéns Thi, o Neto tem muita sorte em ter você como pai, tenho certeza que vocês serão os melhores amigos!
Poderia escrever muitas páginas sobre esse dia, pois tudo foi perfeito, cada detalhe, só posso agradecer à Deus por tudo isso e por ter atendido nossas orações e dizer que mais uma vez Ele superou minhas expectativas, obrigada Senhor, foi maravilhoso!
Seja bem vindo Melchior Neto, desejo que a sua vida seja tão linda e cheia de amor e respeito como foi seu nascimento!
Esse parto, essa força da Paola só me mostrou o quanto a frase da parteira Naoli é real e verdadeira:
" Nós mulheres sabemos parir, nós mulheres gostamos de parir!"
Carla Bichara
Fotos by Marcia Kohatsu
http://aluzdoparto.com/2014/11/25/paola-thiago-e-o-pequeno-melchior-neto/
A informação e o empoderamento fazem toda a diferença, pois em todo tempo a Paola se mostrou corajosa, guerreira e protagonista do seu próprio parto. O parto com certeza foi só dela, mas a festa foi nossa! A Paola foi tão carinhosa, nos esperou com tanto carinho, frutas, até pudim tinha para nos recepcionar, e como se não bastasse, fomos acolhidas como parte da família pelo seu marido, pai, mãe e irmãs...
O que mais me marcou foi quando eu estava segurando a mão da Paola em meio às contrações, e o pai dela chegou do outro lado segurou a mão dela e disse que era p ela ter força e que ele ficaria ao seu lado e a Paola chorou de dor, de emoção, de realização, chorou de tanto amor...eu não contive as minhas lágrimas e chorei junto (impossível não chorar), olhei p a Fabi e ela chorava também! Se tem uma coisa que mexe comigo, é a paternidade, um pai amoroso e presente como o Melchior, a intimidade e a cumplicidade de pai e filha me marcaram demais, e para completar estava tocando a música "Tocando em Frente" do Almir Sater que eu acho linda demais!
E por falar em pai, o Thiago foi demais, atencioso, carinhoso de um jeito ansioso, fofo e atrapalhado de um pai de primeira viagem que ama muito seu bebê, parabéns Thi, o Neto tem muita sorte em ter você como pai, tenho certeza que vocês serão os melhores amigos!
Poderia escrever muitas páginas sobre esse dia, pois tudo foi perfeito, cada detalhe, só posso agradecer à Deus por tudo isso e por ter atendido nossas orações e dizer que mais uma vez Ele superou minhas expectativas, obrigada Senhor, foi maravilhoso!
Seja bem vindo Melchior Neto, desejo que a sua vida seja tão linda e cheia de amor e respeito como foi seu nascimento!
Esse parto, essa força da Paola só me mostrou o quanto a frase da parteira Naoli é real e verdadeira:
" Nós mulheres sabemos parir, nós mulheres gostamos de parir!"
Carla Bichara
Fotos by Marcia Kohatsu
http://aluzdoparto.com/2014/11/25/paola-thiago-e-o-pequeno-melchior-neto/
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Porque eu amo ser doula voluntária...
Meu dia de voluntariado é sempre nas terças feiras, mas há duas semanas, eu tive um compromisso na terça e como eu não consigo ficar mais de uma semana sem doular...rsrsrs... resolvi ir na quinta e foi quando conheci a Ana Luiza, uma gestante de apenas 17 anos, super corajosa, estava lá sem acompanhante dizendo que iria enfrentar o trabalho de parto sozinha! Quando eu cheguei ela estava bem no começo das contrações e eu pude antes ajudar uma outra gestante, e por ser bolsa rota, induziram o parto com ocitocina o que torna as dores bem mais intensas, fiquei perto dela o tempo todo, mesmo quando ela achava que não aguentava mais e ficava com as mãos amortecidas, pois não estava conseguindo respirar da maneira correta, ela não reclamava! Não saí do lado dela, eu fazia massagem nas mãos, nas costas, levava p o chuveiro.A sua filhinha Emilly nasceu na cama do pré parto com uma médica muito humanizada que eu tive prazer de conhecer e poder atender esse parto, não fez episiotomia e teve apenas uma pequena laceração de uns 3 pontinhos... Foi lindo, um daqueles dias em que eu sinto alegria e a sensação de dever comprido,um parto realmente inesquecível!
Obrigada Aninha pelo depoimento e pelo carinho! Foi um prazer estar ao seu lado...
Segue abaixo o relato de parto que ela me enviou:
No dia 23 de outubro, eu sempre vou me lembrar, não só
pelo fato da minha filha ter nascido, mas eu também vou
me lembrar de você Carla Vanessa, você foi essencial antes
do parto, foi muito atenciosa comigo e com a outra que
estava com muita dor, nos colocou na bola e fez massagem
e depois me colocou embaixo do chuveiro e continuou
fazendo massagem sem se importar se iria se molhar e
também na hora do parto você estava ali, me incentivando
à fazer força na hora da contração e descansar assim que
parasse a dor para eu relaxar , me deu a mão disse "vamos
você está quase lá!"
Você também ficou comigo meia hora à mais do seu horário
ainda depois da nenê nascer até a hora da doutora fazer os
pontos, mas ficou comigo não porque eu era mãe de
primeira viagem, mas sim pelo fato de amar o que faz,
porque naquele dia nem era p você estar ali!
Eu sou muito grata à você e se alguém quiser uma doula
na hora do parto eu te recomendaria Carla Vanessa!
Obrigada Aninha pelo depoimento e pelo carinho! Foi um prazer estar ao seu lado...
Segue abaixo o relato de parto que ela me enviou:
No dia 23 de outubro, eu sempre vou me lembrar, não só
pelo fato da minha filha ter nascido, mas eu também vou
me lembrar de você Carla Vanessa, você foi essencial antes
do parto, foi muito atenciosa comigo e com a outra que
estava com muita dor, nos colocou na bola e fez massagem
e depois me colocou embaixo do chuveiro e continuou
fazendo massagem sem se importar se iria se molhar e
também na hora do parto você estava ali, me incentivando
à fazer força na hora da contração e descansar assim que
parasse a dor para eu relaxar , me deu a mão disse "vamos
você está quase lá!"
Você também ficou comigo meia hora à mais do seu horário
ainda depois da nenê nascer até a hora da doutora fazer os
pontos, mas ficou comigo não porque eu era mãe de
primeira viagem, mas sim pelo fato de amar o que faz,
porque naquele dia nem era p você estar ali!
Eu sou muito grata à você e se alguém quiser uma doula
na hora do parto eu te recomendaria Carla Vanessa!
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Um dia para recordar
Meu dia não começou dos melhores, quando estava chegando no hospital p o voluntariado recebi um telefonema da minha mãe dizendo que o meu irmão estava no hospital com suspeita de infarto, fiquei arrasada, não sabia se voltava p casa ou se ficava no hospital pois estava sem o carro e não conseguiria ir até onde eles estavam, entrei chorando no hospital e quando estava indo p o C.O minha mãe me ligou novamente dizendo que estava descartado qualquer problema do coração e que era um problema do estômago que tem os mesmos sintomas. Ufa, que alívio!
Então pude começar o meu plantão bem mais tranquila, durante o dia acompanhei dois partos, um que foi bem rápido, na verdade fiquei uns 30 min. apenas com ela, e o outro foi bem mais complicado, a parturiente estava bem debilitada e o batimento fetal estava super instável, ela perdeu os sentidos, então não consegui fazer muito por ela , pois ela estava sendo monitorada o tempo com cardiotoco e vários profissionais ao redor, mas pude ajudar em oração, quando a mãe dela saiu chorando do pré parto super nervosa pois ainda faltavam 3 cm de dilatação e a filha não aguentava mais eu fui atrás dela e oramos juntas, pedindo à Deus que encaminhasse o parto da melhor maneira possível, e não é que Deus ouviu a nossa oração e o parto evoluiu para 10 cm em meia hora? Deu tudo certo mãe e bebê passam muito bem!
E foi no meio dessa confusão que a Kelly chegou, primeira gestação, 20 anos, bolsa rota desde a madrugada e nem um sinal de trabalho de parto , isso era por volta de umas 15hs...então às 17hs ela foi p a ocitocina(hormônio sintético) para desencadear o parto, pois segundo os médicos ela já estava há muito tempo com a bolsa rota (quando rompe a bolsa antes do trabalho de parto ou durante) ,eu já havia explicado que eu podia ajudá-la e o que eu fazia e pedi para que ela caminhasse para que não precisasse usar esta intervenção, depois que colocaram ela na ocitocina, começamos fazer exercícios com a bola e ela me disse que estava nervosa pq o parto dela não iria acontecer no meu plantão, aí vcs já sabem né? Meu coração de doula derrete todinho...rsrsrs...falei p ela que eu ficaria com ela até às 22:30 , pois é o horário que meu marido sai do SENAI onde ele é professor e poderia ir me buscar.
Então o trabalho de parto começou desencadear, ela ia p o banho, p a bola , massagem, aceitava todas as minhas sugestões, e como ela estava com o marido que era super carinhoso, eu deixei ela no banho e fui ajudar uma outra gestante que estava super nervosa e sozinha, o nome dela era Marli, e chegou em trabalho de parto com 3 de dilatação dizendo que ela precisava de uma cesária porque ela não dilatava...hahaha...logo pra quem ela foi falar uma coisa daquela!
Disse p ela que toda mulher dilata, e as que não dilatam é porque os médicos não quiseram esperar que elas dilatassem, mas enfim, o trabalho de parto dela evoluiu super rápido e da forma mais natural possível, em duas horas ela estava com dilatação total , pra quem tinha "problema de dilatação"...huahauahau...) e a Kelly ficou com o marido dela na outra maca enquanto eu cuidava da Marli que estava bem insegura e pedia que eu não saísse do seu lado. Só chamei as enfermeiras quando o bebê já estava coroando para que não desse tempo dos médicos levarem ela para aquela mesa posição de "frango assado" do centro cirúrgico, só deu tempo da enfermeira amparar o bebê que nasceu super bem! Ela me agradeceu e foi para a ala de recuperação. Me senti super realizada, pois havia ficado para ajudar a Kelly, e acabei fazendo a diferença no parto da Marli!
Voltando à Kelly, por volta das 21hs o médico fez o toque e disse que ela estava com 6 p 7 de dilatação, e ela já estava bem cansada e com bastante dor, voltamos p o chuveiro , pois a água morna ajuda relaxar a musculatura e amolecer o colo do útero, ela ficou por um bom tempo embaixo d'água, e ela falando com os olhos cheio de lágrimas "daqui à pouco vc vai embora..." eu disse que ela não estava sozinha , que o marido estava com ela e que ela era muito capaz de passar o parto sem mim , pois ela estava maravilhosa, fazia a respiração certinha, administrava as contrações e o eu trabalho de parto estava melhor que o esperado, mas ela estava inconsolável...rsrsrs...então comecei orar e pedir à Deus que o Cauê nascesse antes que eu fosse embora, fiquei o tempo todo em oração pedindo para que tudo corresse da melhor forma possível...
Então, às 22:15 ela me disse assim: "Doula, se eu te pedir um favor vc faz?"
eu respondi :"se estiver dentro das minhas possibilidades eu faço!"
E ela: "fica comigo? Não me deixa sozinha por favor!"
Por favor , não faz isso comigo...rsrsrs... eu não teria como ir embora mais tarde...
De repente, ela começa fazer força e eu pedi para ela abrir a perna p ver se estava perto, para a minha surpresa, a cabecinha do bebê já estava aparecendo! Avisei a enfermeira e disse que não precisava ter pressa p chamar o médico...rsrsr...só estava eu , ela e o marido na sala e ela estava empurrando seu bebê para fora, e quando já estava coroando chamei novamente a enfermeira e ninguém chegava! Já estava colocando a luva para receber o Cauê quando a equipe chegou...teria sido uma experiência e tanto!
O Cauê nasceu às 22hs27 super lindo e saudável! O Igor (marido) veio chorando me abraçar e me agradecer e ela segurou na minha mão chorando de felicidade e me disse que eu era um anjo que Deus havia enviado para ajudá-la na frente do médico e das enfermeiras, eu respondi que havia sido um prazer indescritível estar com ela naquele momento e o doutor disse que quem faz algo com tanto amor como eu, isso nunca será um peso, e que tudo vai bem!
Não preciso nem dizer que quando o meu marido chegou, eu estava flutuando de felicidade e cheia de ocitocina na veia...hauahauahuahau
Eu sei que vcs já sabem, mas não me canso de dizer amo , amo e amo ser doula!
Obrigada Me Deus por mais este dia inesquecível, mais uma vez o Senhor superou minhas expectativas!
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Relato de um parto muito difícil, mas compensador!
A postagem de hoje fala do relato de parto do meu dia de voluntariado, de uma menina linda, de apenas 17 anos, mas muito guerreira e corajosa! Um parto longo, dolorido e cansativo, pois o bebê estava alto ainda e mesmo chegando na dilatação total demorou algumas horas para o nascimento, tivemos que fazer várias posições e exercícios com a bola para ajudar, em todo tempo ela seguia minhas orientações e não reclamava! Quando ela começou chorar dizendo que não aguentava mais, a obstetra foi chamada e verificou que o bebê estava coroando!
Parabéns Mi! O João Pedro é lindo e tem muita sorte de ter você como mãe!
Por Milene Bonfim
Era um domingo a noite as 21:30 comecei a sentir umas dores mas estava bem leve, estava aguentando bem tranquila, falei pra minha mãe e pra irmã nisso elas já ficaram assustadas e ligaram para minha sogra para perguntar se eu devia ir ao hospital ou não, ligaram e ela disse que sim por que era perigoso e por que eu já estava de 40 semanas e blá, blá, blá.
Eu não queria ir de jeito nenhum por que eu estava aguentando a dor e estava suportável por enquanto, mas ficaram me assustando e eu resolvi ir, mas eu disse pra elas que eu só iria perder tempo que eles iriam me mandar embora, feito e dito! Cheguei lá no hospital com 2 de dilatação, me deram soro para parar de dilatar, um absurdo, mas ok!
Fui pra casa quando era umas 04:00 hrs da manhã começou a dor insuportável que eu não estava aguentando, voltei pro hospital estava com 5 de dilatação aí já fiquei internada e estava demorando muito pra dilatar e as contrações estavam de 1 em 1 minuto, parecia que eu ia morrer, nunca senti uma dor tão horrível na minha vida!
Fizeram eu caminhar pra dilatar, caminhei o hospital inteiro, fiquei debaixo do chuveiro mais de uma hora, fiz várias coisas e só piorava a dor. Quando era segunda de manhã às 09:00 hrs me examinaram de novo e eu estava com 7 de dilatação, nisso entre 10:00 e 11:00 hrs chega uma doula (nunca tinha ouvido falar nisso na minha vida, kk.) Carla era o nome dela, um amor de pessoa, me ajudou muuuuito, me ajudou fazendo massagem, confesso que as massagens dela aliviava a dor um pouco, fazia exercícios na bola com ela me ajudando, voltamos para o chuveiro e parece que ficar em baixo do chuveiro a dor piorava!
E passava as horas e nada e nada, estava aguentando a dor bem tranquila, mas era insuportável mas sei que não adiantava eu ficar gritando e fazendo escândalo não iria diminuir a dor mesmo. Quando chegou às 18:00 hrs aí chamaram a doutora e ela me examinou e já estava coroando e me levaram correndo pra sala de parto e tive a honra de ter a doula Carla comigo na hora do parto!
Fiz muita força, aí pensei comigo mesmo o quanto sou forte muito mais do que imaginava depois de passar por uma dor de parto e não fazer escândalo como muitas fazem, agüentei quieta mas é uma dor horrível, só Deus sabe, mas se ele deixou pra ser assim então tem que ser assim, graças a Deus ocorreu tudo bem, ele nasceu e já colocaram ele em cima de mim e eu me emocionei fiquei impressionada de como ele era perfeito não dava pra acreditar que aquele bebê tão lindo era meu!!
Ele nasceu às 19:15 com 3,265 kg e 49 cm. Tenho muito que agradecer a Carla por tudo, muito obrigada por estar nesse momento especial comigo, você me ajudou muito! Enfim foi isso, tentei colocar cada detalhe e ta aí! Hoje sou a pessoa mais feliz por ter um anjo de Deus comigo!
Parabéns Mi! O João Pedro é lindo e tem muita sorte de ter você como mãe!
Por Milene Bonfim
Era um domingo a noite as 21:30 comecei a sentir umas dores mas estava bem leve, estava aguentando bem tranquila, falei pra minha mãe e pra irmã nisso elas já ficaram assustadas e ligaram para minha sogra para perguntar se eu devia ir ao hospital ou não, ligaram e ela disse que sim por que era perigoso e por que eu já estava de 40 semanas e blá, blá, blá.
Eu não queria ir de jeito nenhum por que eu estava aguentando a dor e estava suportável por enquanto, mas ficaram me assustando e eu resolvi ir, mas eu disse pra elas que eu só iria perder tempo que eles iriam me mandar embora, feito e dito! Cheguei lá no hospital com 2 de dilatação, me deram soro para parar de dilatar, um absurdo, mas ok!
Fui pra casa quando era umas 04:00 hrs da manhã começou a dor insuportável que eu não estava aguentando, voltei pro hospital estava com 5 de dilatação aí já fiquei internada e estava demorando muito pra dilatar e as contrações estavam de 1 em 1 minuto, parecia que eu ia morrer, nunca senti uma dor tão horrível na minha vida!
Fizeram eu caminhar pra dilatar, caminhei o hospital inteiro, fiquei debaixo do chuveiro mais de uma hora, fiz várias coisas e só piorava a dor. Quando era segunda de manhã às 09:00 hrs me examinaram de novo e eu estava com 7 de dilatação, nisso entre 10:00 e 11:00 hrs chega uma doula (nunca tinha ouvido falar nisso na minha vida, kk.) Carla era o nome dela, um amor de pessoa, me ajudou muuuuito, me ajudou fazendo massagem, confesso que as massagens dela aliviava a dor um pouco, fazia exercícios na bola com ela me ajudando, voltamos para o chuveiro e parece que ficar em baixo do chuveiro a dor piorava!
E passava as horas e nada e nada, estava aguentando a dor bem tranquila, mas era insuportável mas sei que não adiantava eu ficar gritando e fazendo escândalo não iria diminuir a dor mesmo. Quando chegou às 18:00 hrs aí chamaram a doutora e ela me examinou e já estava coroando e me levaram correndo pra sala de parto e tive a honra de ter a doula Carla comigo na hora do parto!
Fiz muita força, aí pensei comigo mesmo o quanto sou forte muito mais do que imaginava depois de passar por uma dor de parto e não fazer escândalo como muitas fazem, agüentei quieta mas é uma dor horrível, só Deus sabe, mas se ele deixou pra ser assim então tem que ser assim, graças a Deus ocorreu tudo bem, ele nasceu e já colocaram ele em cima de mim e eu me emocionei fiquei impressionada de como ele era perfeito não dava pra acreditar que aquele bebê tão lindo era meu!!
Ele nasceu às 19:15 com 3,265 kg e 49 cm. Tenho muito que agradecer a Carla por tudo, muito obrigada por estar nesse momento especial comigo, você me ajudou muito! Enfim foi isso, tentei colocar cada detalhe e ta aí! Hoje sou a pessoa mais feliz por ter um anjo de Deus comigo!
sábado, 16 de agosto de 2014
Coração Voluntário
Hoje eu resolvi escrever mais sobre as minhas experiências de voluntariado hospitalar no SUS. Como alguns já sabem eu fui doula voluntária por quase três anos, toda quinta feira no HC em Ctba, que, até pouco tempo atrás foi o único hospital que me aceitou e recebeu dentro do C.O. (centro obstétrico) e só posso agradecer por esse tempo, pois aprendi muito, vivi experiências maravilhosas, criei laços de amizade com gestantes que acompanhei, médicos e enfermeiras.
Mas como tudo na vida tem um tempo determinado por Deus, chegou a minha hora de me despedir desse lugar que tanto amei e tão bem me acolheu e ir para uma outa maternidade pública (HT), onde dessa vez não fui apenas aceita, mas sim convidada para atuar como doula voluntária e posso assim dizer que fui recebida com bastante entusiasmo pela equipe, quase com um "tapete vermelho"...rsrsrs...tudo isso, depois que o Ministério da Saúde estabeleceu uma verba extra para as maternidades que tivessem esse tipo de atendimento humanizado, e isso nos mostra, que a nossa luta pela humanização tem valido muito à pena!
À princípio, eu pensei que conseguiria atuar nos dois lugares fazendo um dia por semana em cada um, mas meu tempo foi ficando escasso e eu tive que optar por apenas um dia, então resolvi sair do HC. Vocês devem estar se perguntando porque não optei pelo lugar que já estava acostumada e amava tanto, e eu tenho duas respostas para dar, a primeira é de que o Senhor simplesmente, como um passe de mágica, tirou a vontade do meu coração, coisa que há um tempo atrás era inimaginável, e a segunda é que lá o atendimento é para gestações de alto risco e por isso a maioria dos casos acabavam em cesária, então tinha alguns dias que eu estava lá, e infelizmente não acontecia nenhum parto p eu doular, e no HT eu chego atender 4 partos por dia e como não podia deixar de ser, me apaixonei por esse lugar! Tempo e Vontade Soberana do Pai...
Agora, o dia que eu aguardo com ansiedade e alegria, não é mais a quinta feira mas sim a terça, que é o meu dia de ajudar essas gestantes que tanto precisam, que muitas vezes chegam assustadas, fragilizadas, desinformadas e com medo do desconhecido, que buscam um rosto amigo, uma mão para segurar e alguém que acredite nelas e diga que tudo vai dar certo...eu não sei explicar, mas em muito pouco tempo, de uma completa estranha eu me torno amiga delas e tudo flui para que eu consiga executar meu trabalho de doula.
O mais engraçado é que eu me apresento como Carla e digo que sou doula voluntária, e na maioria das vezes elas só me chamam de doula..rsrsrs..."Doula, faz massagem?" "Doula, fica do meu lado?"
Como não amar tanto carinho, tanta receptividade e gratidão e a sensação de que estou cumprindo a minha missão e a minha vocação nesse mundo? Não existe maior pagamento, do que após um trabalho de parto extremamente difícil onde eu sei que eu fiz a diferença ajudando nas posições, fazendo massagem e dando todo o meu apoio físico e psicológico, quando a parturiente recebe o seu bebê em seus braços e no meio de tanta a gente ela me procura e sorri, e sem dizer uma única palavra ela me agradece e me diz tudo através de um olhar!
" E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes."
Mateus 25:40
Mas como tudo na vida tem um tempo determinado por Deus, chegou a minha hora de me despedir desse lugar que tanto amei e tão bem me acolheu e ir para uma outa maternidade pública (HT), onde dessa vez não fui apenas aceita, mas sim convidada para atuar como doula voluntária e posso assim dizer que fui recebida com bastante entusiasmo pela equipe, quase com um "tapete vermelho"...rsrsrs...tudo isso, depois que o Ministério da Saúde estabeleceu uma verba extra para as maternidades que tivessem esse tipo de atendimento humanizado, e isso nos mostra, que a nossa luta pela humanização tem valido muito à pena!
À princípio, eu pensei que conseguiria atuar nos dois lugares fazendo um dia por semana em cada um, mas meu tempo foi ficando escasso e eu tive que optar por apenas um dia, então resolvi sair do HC. Vocês devem estar se perguntando porque não optei pelo lugar que já estava acostumada e amava tanto, e eu tenho duas respostas para dar, a primeira é de que o Senhor simplesmente, como um passe de mágica, tirou a vontade do meu coração, coisa que há um tempo atrás era inimaginável, e a segunda é que lá o atendimento é para gestações de alto risco e por isso a maioria dos casos acabavam em cesária, então tinha alguns dias que eu estava lá, e infelizmente não acontecia nenhum parto p eu doular, e no HT eu chego atender 4 partos por dia e como não podia deixar de ser, me apaixonei por esse lugar! Tempo e Vontade Soberana do Pai...
Agora, o dia que eu aguardo com ansiedade e alegria, não é mais a quinta feira mas sim a terça, que é o meu dia de ajudar essas gestantes que tanto precisam, que muitas vezes chegam assustadas, fragilizadas, desinformadas e com medo do desconhecido, que buscam um rosto amigo, uma mão para segurar e alguém que acredite nelas e diga que tudo vai dar certo...eu não sei explicar, mas em muito pouco tempo, de uma completa estranha eu me torno amiga delas e tudo flui para que eu consiga executar meu trabalho de doula.
O mais engraçado é que eu me apresento como Carla e digo que sou doula voluntária, e na maioria das vezes elas só me chamam de doula..rsrsrs..."Doula, faz massagem?" "Doula, fica do meu lado?"
Como não amar tanto carinho, tanta receptividade e gratidão e a sensação de que estou cumprindo a minha missão e a minha vocação nesse mundo? Não existe maior pagamento, do que após um trabalho de parto extremamente difícil onde eu sei que eu fiz a diferença ajudando nas posições, fazendo massagem e dando todo o meu apoio físico e psicológico, quando a parturiente recebe o seu bebê em seus braços e no meio de tanta a gente ela me procura e sorri, e sem dizer uma única palavra ela me agradece e me diz tudo através de um olhar!
" E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes."
Mateus 25:40
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Porque informação é essencial!
Como doula voluntária em hospitais públicos, eu consigo enxergar como a cultura sobre o parto é distorcida, como para quem não teve acesse as informações corretas ou simplesmente não buscou essas informações e não se preparou para esse momento, o correto virou o errado, e o errado virou o correto!
Todos que acompanham o blog sabem o quanto eu luto contra o descaso a ignorância, a desatualização, a prepotência e a soberba de muitos profissionais da saúde. Mas hoje eu venho mostrar um outro lado: Quando os profissionais buscam fazer o melhor, o mais natural possível, com o mínimo de intervenções como pede a OMS, mas, quando as famílias e gestantes não têm a mínima noção de que essa é a melhor e mais bela forma de nascimento, começam os maiores problemas.
Não foram uma, nem duas vezes que eu atendi meninas em trabalho de parto totalmente inconsoláveis, dizendo que elas só estavam "sofrendo" daquela maneira por não poderem pagar uma cesária eletiva. Uma vez ouvi uma mãe dizer o quanto se arrependia por não ter vendido seu carro para pagar a cirurgia, assim sua filha não estaria passando por tudo aquilo!
Eu sempre tento mostrar à elas, o quanto são privilegiadas por não passarem por uma cirurgia desnecessária, e que nascer daquela forma vai trazer inúmeros benefícios para o seu bebê, e que no Brasil , pessoas que tem muito dinheiro precisam lutar muito e se informar para não cair nas mentiras desse sistema obstétrico, mas é muito difícil mudar o pensamento de uma vida em poucas horas de um trabalho de parto, e quando eu consigo levar esse conforto psicológico para a gestante, muitas vezes algum acompanhante chega e começa chorar perto da gestante pelos "maus tratos" , dizendo que o médico só está olhando e não faz nada para ajudar...
Então começam as discussões e os pedidos de intervenções como:
"Coloca ela no soro (ocitocina) p ir mais rápido"
"Porque não rompe a bolsa?"
" Por que o doutor demora tanto p fazer o toque?" ( isso que os exames são feitos à cada uma hora)
" Se eu não conseguir fazer força a doutora corta e puxa p mim ? ( episio e fórceps)
"Esse parto está demorando demais , se não fizerem logo uma cesária vou fazer um escândalo e pedir transferência desse hospital"
Entre essas pérolas que eu ouço eu fico pensando em como podemos mudar essa cultura? Enquanto nos países desenvolvidos as gestantes muitas vezes vão chorando quando são encaminhadas para uma cesária de emergência devido à alguma intercorrência, aqui o parto natural infelizmente é visto com um descaso...
Creio que esse tipo de informação deveria constar no currículo escolar como matéria obrigatória, campanhas publicitárias de peso, cursos nos postos de saúde, mais ação dos órgãos públicos como o Ministério da Saúde, fazer com que o maior número de gestantes possíveis tenha acesso ao documentário "O Renascimento do Parto" que é recheado de evidências científicas, etc..
Mas, enquanto isso não ocorre , continuamos fazendo nosso trabalho de formiguinha que já tem dado resultados valiosos! O jeito é informar, informar e informar...
Carla Bichara
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