terça-feira, 2 de julho de 2013

Vida sexual após o parto normal !

Ontem estávamos em uma tira dúvidas de gestantes, e eis que surge a seguinte pergunta: "É verdade que parto normal deixa a mulher mais larga?"

 Também já ouvi, "não quero estragar o parque de diversões do meu marido", ou "meu marido não quer parto normal porque eu vou ficar laceada!" E por aí vai...

 Então resolvi pesquisar,para responder com propriedade:  li e reli , vários textos, fóruns, ri com alguns  absurdos de pessoas que não fazem a mínima idéia do assunto, e tb alguns garanhões ...rsrs... dizendo que já tiveram relações com "várias mulheres", com filhos e sem filhos e não sentiram diferença alguma!

O texto abaixo foi um dos melhores, esclarecedor e realista:

"Eis um grande mito. O canal por onde passa o bebê é como um diafragma , a vagina e o períneo (musculatura que envolve a entrada da vagina e ânus) são grandes e fortes músculos e sendo assim, tem a capacidade de relaxar e contrair, voltando ao tamanho normal ou muito próximo ao normal depois do parto.  A vivência do parto e a percepção de que é possivel utilizar esta musculatura pode melhorar e muito a vivência sexual da mulher e de seu parceiro. A melhor forma de prevenção da frouxidão da vagina ou da bexiga é através de exercícios que podem ser feitos com o períneo.  Evitar o parto normal ou submeter-se a episiotomia - corte cirúrgico feito na vulva e vagina para acelerar o parto – para evitar de ficar “ alargada” é um grande mito cultural hoje impregnado em nossa sociedade e que vem sendo lentamente revisto pela literatura científica." 

Mas ainda não satisfeita, resolvi fazer  uma enquete científica...rsrs... com as minhas ex -doulandas e algumas meninas de grupos de parto humanizado que eu participo, para realmente não deixar dúvidas...  não vou revelar a identidade por motivos óbvios....rsrsrs... segue os depoimentos:

"Da primeira filha (cesárea) demorou um bom tempo para voltar ao normal, agora da segunda filha ( PN)  não mudou nada, só melhorou...rsrs" P.

"Bom, fiquei com receio da "1ª vez", mas até que foi tranquila, e o medo vai passando com o tempo, e fiquei mais relaxada. Não fica "mais larga", mesmo que tenha levado pontos e/ou que os pontos tenham arrebentado. A tendência é que diminua a lubrificação natural, mas isso geralmente volta ao normal com o tempo (Por isso as preliminares são ainda mais importantes). A sensibilidade aumenta e isso, no começo se traduz em uma leve dor, mas com o tempo, fica bem bom. Espero ter ajudado!" R.

"Vc sabe q tive episio mais p mim melhorou e muito, tipo 100% melhor..rs" F.
"No começo doeu um pouco, mas a médica havia me orientado que essa dor seria a mesma se eu tivesse tido cesárea. Meu marido diz que tá mais gostoso, que parece bem mais apertadinho!" R.

"No começo foi melhor de antes do parto,  hoje um ano depois eu sofro com a episio..."  E. 
Na 1ª vez depois dos 40 dias doeu muuuuito, mas depois foi tudo igual.. parece até que melhor rsrsrsrs... J.


Pronto , minhas queridas gestantes, agora vcs já podem tirar suas conclusões! E não esqueçam de mostrar p os maridos !!!!!!!!!!!!

Quando a cesárea é realmente necessária

Quando estamos falando sobre parto normal,  uma das perguntas mais frequentes é: Quando é realmente necessário marcar um cesárea? 



Quando é necessário 
• Quando a placenta cobre o colo do útero, impedindo a saída do bebê – a chamada placenta prévia. A cirurgia é agendada antes de o trabalho de parto ter início, para não haver risco de sangramento. O diagnóstico só acontece a partir da 30ª semana. 
• Quando há descolamento prematuro da placenta. 
• Quando a mãe tem aids. Se a carga viral for alta ou desconhecida, a cesárea deve ser agendada. Se a carga viral for indetectável, pode ser parto normal. 
• Se a mãe tem herpes genital, com uma lesão ativa até 1 mês antes do parto. Quem tem a doença pode prevenir as lesões tomando medicamentos. 
• Em alguns casos raros de doenças cardíacas. 
• Se o bebê está atravessado. Antes, o médico pode tentar ajudá-lo a ficar na posição correta. 
• Quando o cordão penetra no canal de parto antes da cabeça do bebê. Também só será possível perceber isso depois de o trabalho de parto ter começado. 
• Quando o bebê apresenta uma redução drástica no fluxo de oxigênio ou nos batimentos cardíacos. Isso acontece apenas em torno de 1% dos casos. 
• Se a abertura do colo da mãe é pequena para o bebê, algo que ocorre em menos de 5% dos partos.
Casos que devem ser estudados com o médico
• Se o bebê estiver sentado e a mulher já tiver tido parto normal antes. 
• Quando foram feitas duas ou mais cesáreas anteriores. 
• Se a mulher tem defeitos na bacia, algo que provavelmente ela já descobriu antes de engravidar, por meio de um simples exame de toque. 
• Se a criança está frágil demais, ou seja, se há retardo do crescimento. 
• Se o parto pára de progredir. Nesse caso, há recursos para estimular a continuidade, como o hormônio ocitocina. 
• Se há alteração na circulação do sangue entre mãe e bebê, medida pelo exame de dopplerfluxometria. 
• Pressão alta na gravidez (acima de 13 x 9). Em muitos casos, o ideal é acelerar o parto com o uso de ocitocina. 
• Quando a mãe tem pré-eclâmpsia, doença típica da gravidez que eleva a pressão arterial, o parto também deve acontecer rápido. Mas é possível prevenir a doença com um bom pré-natal, dieta balanceada e aspirina para quem tem risco. 
Quando a cesárea não é necessária 
• Cordão enrolado no pescoço do bebê (não importa quantas voltas), desde que o bebê esteja bem. 
• Falta de dilatação. Pode ocorrer por um distúrbio raro no colo do útero (menos de 1% das mulheres o têm), mas, na maioria das vezes, se não dilatou é porque não chegou a hora mesmo. 
• Se passou da semana número 40 da gravidez. É normal esperar até 42 semanas, monitorando o bebê. 
• Se a mulher tem mais de 35 anos. 
• Se a mulher teve uma cesárea anterior. 
• Se o trabalho de parto está demorado. A mulher pode passar vários dias sentindo algumas contrações, sem ter entrado em trabalho de parto. Os médicos só consideram trabalho de parto quando há mais de 3 cm de dilatação e contrações regulares. Aí, então, o processo pode levar entre 8 e 18 horas. 
• Bacia estreita (esses casos são raríssimos e, em geral, a mulher já descobriu a alteração antes). 
• Bebê grande demais (um bebê precisa ter mais de 4,5 quilos para ser considerado grande. É bem raro). 
• Se a mulher tem verrugas genitais, mioma ou HPV (a não ser que obstruam a passagem do bebê).

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Amamentar = amar, proteger, viver com intensidade a maternidade, vínculo eternizado e satisfação mais que garantida!


Hoje, a minha amiga e ex-doulanda me mostrou este texto, achei tão lindo e perfeito que resolvi compartilhar com vcs! Tão verdadeiro que me deu saudade de amamentar meus filhotes... 





Inspira. Suga. Expira. Engole. Inspira. Suga. Expira. Engole. Inspira. Expira. Inspira. Expira. Suga. Engole. Inspira. Expira. Seus olhos não saem dos meus, não tiro meus olhos dos seus. Seus dois estatelados olhos esfomeados de vida. Por cima deles, sobrancelhas inquietas sobem e descem, se unem e se separam. Meu seio direito abocanhado por esses seus lábios de peixinho. Sua pequena mão sobre meu seio esquerdo. Abrindo. Fechando. Como se você acariciasse o meu coração.
Inspira. Suga. Expira. Suga. Sua barriga encostada na minha. Sua cabeça apoiada sobre a parte de dentro do meu cotovelo. Você experimenta a mãe com a pele, com os olhos. Canto para que você experimente também com os ouvidos. Em troca você me dá seus barulhos de beijinho molhado. O som da sua respiração. A visão do seu rostinho bem pertinho do meu. Dos seus olhos se fechando macios à medida que o sono vem. E o susto que você leva com o seu prório arroto.
Inspira. Expira. Suga errado, pela metade. Inspira. Expira. Inspira. Expira. Vira a cabeça pra lá e pra cá, esfrega a cara no peito, resmunga, tropeça na própria respiração, engole torto, leva a cabeça para trás, ameaça um chorinho. Sai do peito, dá um gritinho. Shhhhhh. Shhhhhh. Shhhhhh. Assustou, filho? Toma, toma. Volta pro peito. Shhhhh. Shhhhhh. Isso. Shhhhh. Shhhhh. Seus olhos nos meus, os meus no teu olhar que observo a entrar no mundo dos sonhos. Fecha. Abre. Fecha até a metade. Abre. Fecha por três segundos, abre até a metade. Suga. Suga. Suga. Suga. Suga. Para. Suga. Suga. Suga. Suga. Para. Joga a cabeça para trás, puxando o bico com a boquinha bem fechadinha. Larga o peito, espreme a boquinha, respira fundo e continua adormecido. É muito mais do que alimento. Amamentar é dizer eu te amo. E ter a certeza de que você compreendeu.


Por : Natacha

terça-feira, 25 de junho de 2013

Relatando o parto lindo e abençoado da Angela e do Lorenzo...

Como é bom acompanhar um parto em que a gestante está preparada física e psicologicamente para este momento, era assim que a Angela estava: calma , tranquila e cheia de expectativas pelo nascimento do seu primeiro filho, O Lorenzo.

Ela teve perda de líquido uma semana antes, mas fomos ao hospital e disseram que estava tudo bem e que logo entraria em TP. Uns dois dias depois,  ela me ligou dizendo que estava tendo contrações regulares, então o marido dela que trabalha com o meu, veio me buscar p eu ficar com eles em casa. Quando eu cheguei , ela estava com aquela carinha de dor e felicidade, e como ela tinha tido um pico de  pressão alta uns dias atrás , resolvemos verificar como estava a pressão e deu um pouco alterada , então resolvemos ir p a maternidade (pública , pois se fosse particular, já teriam mandado ela para uma cesárea há alguns dias atrás), mas , felizmente a pressão estava normal , o bebê estava bem e ela estava com 3 cm de dilatação.

A médica disse que era p ela ir caminhar, mas não imaginou que ela tinha uma doula...rsrs...e que realmente iriamos caminhar num frio de 7° ! Caminhamos das 21 até ás 22hs no parque Barigui, a Angela , o Kleber(marido) e eu . Conversamos , brincamos,  rimos e a cada contração a Angela se agachava no meio do parque, e os atletas de plantão só olhando!



Quatro cm de dilatação, só faltavam seis!
Olha o sorrisinho...

Papai super presente e carinhoso...
Hora da massagem !

Voltamos para a casa da mãe dela, aliás, uma casa tão aconchegante, quentinha,  uma união familiar, carinho e amor, eu já me senti como se fizesse parte dessa família linda! Jantamos, a Angela foi para o banho e as dores  começaram apurar e já estavam  de 5 em 5 min., e achamos melhor seguir p a maternidade ,pois eles moram em um bairro mais afastado de Curitiba e não quisemos abusar da sorte...

Lorenzo , olha a vovó e o vovô esperando ansiosamente por vc!


Quando chegamos no hospital, ainda estava 5cm de dilatação, a Angela contou que havíamos caminhado no parque e a médica pediu que caminhássemos por mais 1h no hospital, pois ainda era cedo p internar e como a casa dela ficava longe dali, lá fomos nós, subimos e descemos as escadas do hospital por mais 1hr, até que a Angela foi p o C.O. com 6cm, e o médico perguntou  : "Você que é a doida que andou no parque Barigui neste frio?" Coisas de quem tem uma doula...rsrsrs

Quem entrou foi o Kleber, pois só permitem um acompanhante pelo SUS , e eu fiquei do lado de fora, ai como é horrível ficar do lado de fora...rsrs... sem notícias, a hora não passa! Então quando eu estava deitadinha em um sofá, quase dormindo, eu ouvi alguém gemendo no meio de uma contração, me virei e era a Angela andando pelo corredor e eu  pude ficar mais um pouquinho com eles.

Momento do nosso encontro:
A Angela estava tomando antibiótico , devido  à uma infecção  na bexiga.
Depois disso ,eles entraram , e eu fiquei ali fora cochilando e muitas vezes orando para que tudo corresse bem! Ela teve que ir p a ocitocina, pois segundo o médico a dilatação não estava evoluindo... então o lindo Lorenzo nasce por volta das 6hs da manhã! Tudo havia dado certo! Obrigada Senhor! 

Dias depois, ela me ligou e me disse que quando estava na fase mais difícil (transição) em que  queria desistir (normal...rsrs),  pensava que eu estava lá fora orando por ela e acreditando nela, e dizia para si mesma "não vou desistir, a Carla está lá fora esperando por mim!"  Que linda! Como não se emocionar e chorar ouvindo isso???

Seja bem vindo Lorenzo! Vc é muito amado por sua família...

Abaixo, o  depoimento que ela postou no face p mim...
Minha Doula Querida Carla  sem palavras pra te agradecer o acompanhamento, a força, a dedicação,as orações e informações que você passou pra minha família e para mim durante a gestação e no trabalho de parto!
O meu parto foi MARAVILHOSO, sabíamos tudo o que estava acontecendo e o porque, graças a sua dedicação e amor as pessoas!
Você será inesquecível em nossas vidas minha Doula Carla Vanessa que em tão pouco tempo que nos conhecemos minha família e eu já te amamos tanto!

AGRADEÇO A DEUS POR TER COLOCADO VOCÊ EM NOSSAS VIDAS!

E agradeço também pelas horas e horas de caminhada em volta do Hospital Evangélico e Parque Barigui á noite hehe

GESTANTES E MULHERES QUE QUEREM ENGRAVIDAR, CONHEÇAM O QUE É DOULA E SE INFORMEM, EU TIVE UMA E RECOMENDO!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O que são pródromos?

Muitas gestantes acabam indo para a maternidade várias vezes por sentirem contrações, e voltam p casa preocupadas, ansiosas e inseguras, sem saber que estão em uma fase chamada pródromos, que ainda não é o trabalho de parto efetivo. Essa fase pode durar vários dias e  banhos quentes ajudam  aliviar   o desconforto!

Segue abaixo a explicação: 


 O que é o período premonitório do parto (pródromo de trabalho de parto)? 
O trabalho de parto é antecedido por um período preparatório denominado de pré-parto, período prodrômico (ou pródromo de trabalho de parto) ou período premonitório. Nesta etapa vários sinais estão presentes, demonstrando que o trabalho de parto e o nascimento do bebê se aproximam.
O período premonitório do parto ou período pré-parto é caracterizado pela presença de contrações, por vezes dolorosas, que ocorrem em intervalos e intensidade irregulares, não apresentando ritmo. Essas contrações não são efetivas para dilatar o colo uterino e constituem o chamado “falso trabalho de parto”, onde, embora haja contrações, não há alteração do colo do útero (ou seja, não há a dilatação do mesmo com progressão para o nascimento do bebê).
Nesta fase há a descida do fundo uterino (a barriga materna fica mais baixa), decorrente do encaixamento da cabeça do bebê na pelve materna. Essa descida da cabeça do bebê acarreta no aumento de dores lombares e dores nas articulações dos ossos do quadril da gestante. As vezes a única manifestação é uma sensação de “peso” na região supra-púbica (na região da bexiga).
Há ainda nesta fase, uma secreção exacerbada de muco pelas glândulas presentes no colo uterino, sendo eliminada uma secreção mucosa pela vagina, acompanhada ou não de sangue em pequena quantidade. Este sinal é chamado de perda de tampão mucoso.
O colo uterino fica mais amolecido e progressivamente mais curto ao toque vaginal (processo chamado de amadurecimento do colo).
Próximo ao final da gestação, as contrações se tornam mais freqüentes e intensas e aregularidade associada à dilatação do colo uterino caracterizam o trabalho de parto que se inicia.
Não é possível dizer o exato momento em que há a transição do período pré-parto para o trabalho de parto, pois o período premonitório do parto pode anteceder o parto em dias; e esta transição ocorre normalmente de forma gradual e quase insensível.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Posso ter um parto normal após uma ou duas cesáreas ?


Parto Normal Após Cesárea - PNAC (em inglês VBAC)

O Brasil tem sido o campeão mundial de cesáreas há alguns anos, mas nossas taxas de mortalidade continuam alarmantes. Os países com menores taxas de cesárea são os que apresentam menor taxa de mortalidade materna e neonatal. Com os hospitais e médicos da rede privada brasileira ostentando taxas de 80 a 90% de cesáreas, é natural que cada vez mais mulheres tenham passado por essa cirurgia e estejam se perguntando:

Depois de uma cesárea, posso ter um parto normal?

A resposta é SIM. Como regra o parto normal sempre é mais seguro que a cesariana, uma cirurgia que têm suas complicações já conhecidas. (Veja artigo sobre riscos da cesárea). Existe risco de complicação de aproximadamente 0,6 % a cada vez que uma mulher é operada. De modo geral, a cesárea tem 4 vezes mais risco de morte materna e 10 vezes mais risco de morte neonatal. Essa taxa se repete no mundo todo, independente das condições tecnológicas em que são feitas as cesáreas.

No caso do parto normal após cesárea (PNAC), o principal risco é o de ruptura uterina. A taxa de ruptura uterina nos PNAC é de 0,5%. Caso ocorra uma ruptura, a mulher deve ser imediatamente operada para que o bebê seja retirado e a abertura seja fechada. No entanto deve-se lembrar que a ruptura uterina também ocorre em mulheres que nunca engravidaram ou foram operadas, bem como antes do início do trabalho de parto.

A questão primordial é: não existe parto sem risco, não existe nada na vida sem risco. Viver tem sua taxa de risco, mas deixar de viver não é uma opção. Quando uma mulher (ou um médico) opta pela cesárea para evitar a ruptura, ela não está eliminando o risco. Ela está trocando uma taxa por outra.

Quem então deve escolher se vai ter um parto normal ou cesárea?

Obviamente é a mulher, pois ela é quem deverá assumir as consequências de sua escolha. O médico será seu parceiro nessa escolha. É quem vai estar atento caso seja necessária uma intervenção, nos raros casos em que isso aconteça.

Porque então os médicos dizem que depois de cesárea é arriscado um parto normal?

Duas razões principais: a primeira é que obstetras são cirurgiões. Bons cirurgiões. Não são necessariamente bons parteiros e a maioria deles tem o olhar treinado para a anormalidade e não para a normalidade em suas mais variadas formas. A segunda é que a maioria dos médicos privados no Brasil prefere o parto cirúrgico de qualquer forma, tanto no primeiro parto, com nos seguintes, a qualquer idade ou situação de saúde. Isso é facilmente constatado pelas pesquisas recentes e pelas atuais taxas de cesárea. A questão médica normalmente acaba sendo: como justificar a escolha da cesárea? E se uma mulher já tem uma cesárea prévia, então já há uma justificativa pronta.

Então como faço se quiser ter um parto normal?

A mulher que quer ter um parto normal depois de cesárea na rede privada deve encontrar um médico que dê preferência ao parto normal sempre (não só no discurso como na prática, obviamente). (Entre em contato com o site Amigas do Parto para obter indicações). Na rede pública isso não é mais um problema, pois a maioria já adota a regra de tentar o parto normal antes de qualquer medida. O problema maior na rede pública é o abuso no uso do "soro", ou seja, o hormônio sintético ocitocina, como será discutido abaixo.

Toda mulher que teve cesárea pode ter um parto normal?

A imensa maioria pode, pois no Brasil a maioria das mulheres estão passando pela cesárea sem indicações claras e precisas. Geralmente a justificativa é "falta de dilatação", "passou da hora", "cordão enrolado no pescoço", todos esses argumentos bastante discutíveis. É apenas uma minoria que foi operada por ter problemas reais na bacia ou outra justificativa séria. Alguns fatores devem ser observados, no entanto. Se a operação foi feita com aquele corte baixo, na linha do biquini, então os riscos são de fato muito baixos. A operação feita de cima a baixo, o corte vertical, a princício traz um aumento do risco de ruptura. O outro ponto é o número de cesáreas prévias. Como em cada cirurgia o útero é cortado em um local diferente, quanto mais cirurgias, mais cicatrizes uterinas. No entanto a literatura cita com alguma frequência os partos normais depois de duas, três e até quatro cesáreas. No serviço público essas histórias são mais comuns, pois as mulheres já chegam no período expulsivo e não dá mais tempo de operar, mesmo que os médicos achem indicado.

Se eu quero um Parto Normal após Cesárea, o que devo evitar?

O mais importante é evitar o uso dos indutores e aceleradores de parto prostaglandina e misoprostol (citotec), que aumentam muito a força das contrações e portanto fazem aumentar o risco de ruptura. A ocitocina também deve ser evitada pois, embora seja menos prejudicial que os dois primeiros medicamentos, também aumenta a força das contrações uterinas.

É verdade que o Parto Normal após Cesárea só pode ser feito com fórceps?

Não, essa informação está totalmente equivocada. Muitos médicos dizem isso, e sabem que diante dessa ameaça a maioria das mulheres opta por uma cesárea eletiva. A verdade é que o uso do fórceps só deve ocorrer em caso de sofrimento fetal agudo. É um evento muito raro. Muito mais eficiente do que o uso do fórceps é permitir que a mulher fique semi-sentada, com o corpo o mais ereto possível, de preferência de cócoras, para ter força de expulsão. Infelizmente o fórceps tem sido muito mais utilizado por causa da ansiedade da equipe do que pela necessidade real.

Eu posso tomar anestesia em um Parto Normal após Cesárea?

A princípio pode, mas como em qualquer parto, deve ser usada em casos restritos, pois ela pode induzir o aparecimento de efeitos indesejáveis como a perda da força de expulsão, a desaceleração do trabalho de parto, a queda da pressão arterial e outros efeitos também sobre o bebê. No caso de se optar pela analgesia, ela deve ser a mais fraca possível (como em outros casos). Primeiro para afetar o menos possível o risco de desaceleração do parto e assim não haver necessidade de se usar ocitocina para correção do ritmo das contrações. Em segundo lugar, caso ocorra um raro evento de ruptura, a mulher poderá dizer que algo aconteceu.

Se eu sofrer uma ruptura uterina, como saberei?

Nas raríssimas vezes em que ocorre uma ruptura, a mulher percebe que algo está acontecendo. O primeiro sinal é que a dor aumenta muito e de repente. O segundo sinal é que entre as contrações a dor não diminui. O terceiro é uma dor nos ombros, perto do pescoço. Nesse caso a equipe deverá estar atenta e efetuar a cirurgia. Convém lembrar que esses são os sinais para qualquer ruptura uterina, em mães com primeira gestação, mulheres que não tiveram cesárea anterior, etc.

Como faço para entrar em contato com outras mulheres que tiveram PNAC?

No site Amigas do Parto tem uma seção de depoimentos só de PNAC. Cada depoimento tem o e-mail da autora para você entrar em contato, se quiser. (www.amigasdoparto.com.br/depoimen.html#vbac
)
Ana Cris Duarte
Amigas do Parto
 
Quem já fez um PNAC e quiser deixar seu relato nos comentários , será muito bem vindo para auxiliar as gestantes que ainda  tem dúvidas! 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - A voz das brasileiras




São atos de violência obstétrica:
- Impedir que a mulher seja acompanhada por alguém de sua preferência, familiar de seu círculo social.
- Tratar uma mulher em trabalho de parto de forma agressiva, não empática, grosseira, zombateira, ou de qualquer forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido.
- Tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, tratando-a como incapaz.
- Submeter a mulher a procedimentos dolorosos desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas.
- Impedir a mulher de se comunicar com o “mundo exterior”, tirando-lhe a liberdade de telefonar, usar celular, caminhar até a sala de espera ETC.
- Fazer graça ou recriminar por qualquer característica ou ato físico como por exemplo obesidade, pelos, estrias, evacuação e outros.
- Fazer graça ou recriminar por qualquer comportamento como gritar, chorar, ter medo, vergonha etc.
- Fazer qualquer procedimento sem explicar antes o que é, por que está sendo oferecido e acima de tudo, SEM PEDIR PERMISSÃO.
- Submeter a mulher a mais de um exame de toque (ainda assim quando estritamente necessário), especialmente por mais de um profissional, e sem o seu consentimento, mesmo que para ensino e treinamento de alunos.
- Dar hormônios para tornar mais rápido e intenso um trabalho de parto que está evoluindo normalmente.
- Cortar a vagina (episiotomia) da mulher quando não há necessidade (discute-se a real necessidade em não mais que 5 a 10% dos partos).
- Dar um ponto na sutura final da vagina de forma a deixá-la menor e mais apertada para aumentar o prazer do cônjuge (“ponto do marido”).
- Subir na barriga da mulher para expulsar o feto Manobra de Kristeller (pressão no fundo do útero)
- Submeter a mulher e/ou o bebê a procedimentos feitos exclusivamente para treinar estudantes e residentes.
- Permitir a entrada de pessoas estranhas ao atendimento para “ver o parto”, quer sejam estudantes, residentes ou profissionais de saúde, principalmente sem o consentimento prévio da mulher e de seu acompanhante com a chance clara e justa de dizer não
- Fazer uma mulher acreditar que precisa de uma cesariana quando ela não precisa, utilzando de riscos imaginários ou hipotéticos não comprovados (o bebê é grande, a bacia é pequena, o cordão está enrolado).
- Submeter uma mulher a uma cesariana desnecessária, sem a devida explicação dos riscos que ela e seu bebê estão correndo (complicações da cesárea, da gravidez subsequente, risco de prematuridade do bebê, complicações a médio e longo prazo para mãe e bebê).
- Dar bronca, ameaçar, chantagear ou cometer assédio moral contra qualquer mulher/casal por qualquer decisão que tenha(m) tomado, quando essa decisão for contra as crenças, a fé ou os valores morais de qualquer pessoa da equipe, por exemplo: não ter feito ou feito inadequadamente o pré-natal, ter muitos filhos, ser mãe jovem (ou o contrário), ter tido ou tentado um parto em casa, ter tido ou tentado um parto desassistido, ter tentado ou efetuado um aborto, ter atrasado a ida ao hospital, não ter informado qualquer dado, seja intencional, seja involuntariamente.
- Submeter bebês saudáveis a aspiração de rotina, injeções e procedimentos na primeira hora de vida, antes que tenham sido colocados em contato pele a pele e de terem tido a chance de mamar.
- Separar bebês saudáveis de suas mães sem necessidade clínica.

Você pode e DEVE denunciar se sofreu violência obstétrica!

Para denunciar:
1) Exija seu prontuário no hospital (ele é um documento seu, que fica depositado no hospital, mas as cópias devem ser entregues sem questionamento e custos).
2) Escreva uma carta contando em detalhes que tipo de violência você sofreu e como se sentiu.
—> Se o seu parto foi no SUS, envie a carta para a Ouvidoria do Hospital com cópia para a Diretoria Clínica, para a Secretaria Municipal de Saúde e para a Secretaria Estadual de Saúde.
—> Se o seu parto foi em hospital da rede privada, envie sua carta para a Diretoria Clínica do Hospital, com cópia para a Diretoria do seu Plano de Saúde, para a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e para as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde. Existem outras instâncias de denúncia, dependendo da gravidade da violência recebida, mas um advogado deveria ser consultado.
Para evitar este tipo de violência você deve procurar uma assistência humanizada. E se infelizmente já passou por algum abuso, deve denunciar! Não se cale.