quinta-feira, 6 de junho de 2013

O dia em que presenciei um milagre!

Hoje foi o meu dia de voluntária no HC, foi um dia muito cansativo, não parei um minuto sequer, mas também extremamente gratificante... vou tentar descrever à vcs  este dia perfeito! Quando cheguei por volta das 9hs, encontrei uma gestante de 21 anos, em TP  muito assustada e chorosa,  tinha um histórico de anorexia e depressão, e eu pensei "Meu Deus, que eu consiga demonstrar o seu amor para ela!" Já fui me aproximando dela , fazendo uma massagem, oferecendo minhas mãos na hora da contração e fazendo carinho em seu cabelo, então como um passe de mágica, ganhei seu coração e sua confiança!

Também tinha no pré parto uma gestante induzindo o parto , mas ela já estava na quarta gestação e portanto bem mais tranquila e independente! Então priorizei cuidar mesmo da Dai, a levei p o banho e ela estava com 4 cm de dilatação mas extremamente debilitada e fragilizada.

Enquanto ajudava a Dai, chegou uma paciente que se chamava Ana Beatriz, bolsa rota, com 1 de dilatação, ainda com poucas contrações, então ouvi a médica dizer que ela já estava na décima primeira   gestação, mas que todas as outras não  tinham dado certo, abortos espontâneos , duas gestações com óbito fetal, então já tinha passado por várias curetagens e dois partos com os bebês em óbito.

 Ela chegou muito feliz, várias médicas já conheciam a sua história e a tratavam com muito carinho e zelo. Por volta do meio dia,  começou ter as contrações mais intensas, então eu largava a outra gestante  e corria para fazer massagem nas costas dela, pois eu via que ela mesma esfregava as costas, tentando aliviar a dor... A Ana também era cristã,  começamos conversar e ela me contou que os médicos disseram que ela não poderia mais engravidar, pois ela já estava com 35 anos e já não tinha mais fertilidade, então quando iria começar um tratamento de fertilização lá mesmo no HC, ela engravidou, nem precisou tratar... como ela mesma me disse quando os homens lhe disseram não, Deus lhe disse SIM! Depois de toda aquela luta, ela iria viver a maior alegria da sua vida e também sua experiência mais intensa!

As contrações aumentaram de repente, ficaram muito fortes , longas e constantes, uma atrás da outra, então eu deixei a Dai com o marido e levei a Ana para o banho, lá ela se acalmou um pouco, saímos do banho e a residente fez um toque, ela passou de 3 para 7 cm de dilatação em 1h, meu Deus, nem acreditamos, o marido dela chegou e foi ser seu acompanhante, ela chorava muito, pois sua dor era muito intensa, eu não tinha coragem de ir almoçar , o C.O. estava lotado e elas precisavam da minha ajuda! Me revezava entre uma e outra, e também cuidava das outras que não estavam em TP, então fui "engolir" um pastel na copa e quando voltei , fomos novamente p o banho para aliviar aquelas dores, ela ficou uns 10min. e o marido dela me chamou dizendo que ela estava com vontade de fazer força, ela saiu do chuveiro e a levamos para o quarto, chamei a dra. e ela tocou, 9 cm  de dilatação, quase total!

Eu orava com ela todo o tempo tentando acalmá-la. A médica decidiu que a levariam p a sala de parto p que fosse feito uma analgesia, pois ela realmente não aguentava mais, o processo estava muito rápido e intenso! Quando chegamos na sala a anestesista perguntou com todo respeito se ela queria analgesia ou não, que ela poderia optar(como eu amo esse hospital!), ela ficou em dúvida, a dra. explicou e ela acabou aceitando, o relógio marcava 14h10min. naquele momento, a sua dilatação estava total, mas depois da analgesia o TP deu uma desacelerada... depois de várias forças, às 14h50min o Francisco nasceu! Ele  nasceu super bem, chorando muito forte, a pediatra o colocou nos braços da Ana, e mãe e filho choraram juntos, um choro que nunca vou me esquecer, um choro de desabafo, após tantos anos de decepção e frustração, um choro de alívio de finalmente ter dado certo, um choro de felicidade plena de ver o seu sonho realizado! Foi um momento perfeito, lindo e emocionante!  E eu fiquei lá, com lágrimas nos olhos agradecendo à Deus pelo privilégio de ter visto aquele milagre!!!!!!!!!!!!!!

Depois de tudo isso, voltei para cuidar da Dai, quando ela me viu, me chamou perto dela, encostou se rosto no meu e começou chorar, a dra. examinou e disse  que ela estava com 8 de dilatação, mas a bacia era muito estreita e a bebê não conseguia descer, mas que esperaria mais um pouco, e, se não evoluísse, faria uma cesárea,  levei ela novamente p o banho, mas ela estava exausta, não se ajudava, queria voltar p cama e deitar, diante disso, a dra. optou pela cesárea... Eu fiquei com ela até que fosse anestesiada e me chamaram p um outro serviço. Quando voltei, a Laurinha já havia nascido, tão branquinha, gordinha, coisinha mais linda do mundo!

Às 16h30min. chegou mais uma parturiente com 5 de dilatação, mas só pude ficar com ela até as 18h30, pois já havia passado da minha hora, ensinei as massagens p o marido, me despedi de todas e a Day e a Ana me agradeceram e disseram que eu fui um anjo na vida delas e que sem mim elas não teriam conseguido!

  No final do dia, um residente me perguntou o que eu fazia, se eu era enfermeira, eu respondi que era uma doula voluntária, ele me disse que eu devia amar  muito o que eu fazia, pois estava escrito no meu rosto e nos meu olhos! Eu sorri, agradeci e pensei: Como eu sou realizada sendo doula, passo por algumas lutas, mas dias como esse fazem tudo valer a pena!  Amo muito essa minha vocação, cada vez mais tenho a certeza que eu nasci para ser uma doula!!!!!!!!!!!!!!!


Ana Beatriz, Francisco(milagre de Deus) e eu! 






terça-feira, 4 de junho de 2013

Para minha querida doulanda Leticia...


Sei que ultimamente não tenho postado relatos bons de se ler, mas sim crueldade, falta de amor, desrespeito, descaso, autoritarismo, enfim a realidade que estamos vivendo quando o assunto é realizar o "sonho do parto natural humanizado", e ontem uma das minhas doulandas me disse que ela estava ficando deprimida de ler meus relatos... não fique Le, esta não é minha intenção, mas sim, que nós estejamos preparadas p as lutas, informando, questionando, procurando médicos com o mesmo coração, e acima de tudo orando para que o Senhor nos dê a vitória! Perdemos algumas batalhas, mas não a guerra! E muitas e muitas gestantes serão abençoadas em um futuro próximo, pois tenho certeza que esta situação irá mudar, já está mudando em Nome de Jesus!!!!!!!!!!

Vamos louvar em meio à tempestade, pois o tempo de bonança virá!


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ditadura Obstétrica !

Conforme o prometido no último post, vou contar a história da minha doulanda que foi bem instruída (por mim é claro....rsrs), fez seu plano de parto , mas de nada adiantou...

Quando a Carol começou frequentar  nossos encontros para gestantes ela já estava com umas 20 semanas de gestação, e ela sempre fazia muitas perguntas, querendo ficar o mais informada possível para que não fosse enganada pelos médicos na hora do TP. Como ela já havia decidido que não iria pagar a taxa de disponibilidade, pois o sufoco iria ser o mesmo, o médico dela era super cesarista, ela optou que fosse com plantonistas da maternidade X,  que era onde seu plano cobria.

Então quando foi chegando mais perto do nascimento  do seu bebê,  ligou na maternidade, e disseram à ela que poderia ter apenas um acompanhante no C.O., então ficou decidido que o marido que iria acompanhá-la e  disse que iria fazer um plano de parto, de todas as intervenções que ela não queria que ocorressem sem necessidade. E foi o que fizemos. E também deixei ela bem consciente da lei do acompanhante e que levasse sempre impressa na carteirinha de gestante, que é como eu sempre instruo as minhas meninas.

 Quando  já estava de 40 semanas, como eu não seria sua doula,  pois a Carol  havia optada pela presença do marido, eu fui viajar no feriado de sete de setembro, e quando estávamos vindo embora em uma viagem que dura 2hs e eu já estava há  7hs na estrada por conta de um congestionamento, ela me ligou dizendo que já estava internada  com 8 cm de dilatação e que por enquanto não sentia dor nenhuma,  que só foi na emergência para monitorar o bebê e ver se estava tudo bem e já estava nesse estágio! Que maravilha! Me disse que ainda estava no quarto e queria muito que eu fosse ficar com ela, que agonia, uma gestante precisando de mim e eu presa no congestionamento!

Depois, me ligou novamente dizendo que estava indo para o centro obstétrico sozinha, pois só deixariam o seu marido entrar na hora do parto, e o marido não sabendo como agir, acabou aceitando o fato. Quando fui visitá-la no outro dia, ela me contou que foi troca de plantão e quando a nova médica ficou sabendo que ela tinha um plano de parto e  que ela não queria aquelas intervenções, ficou louca e começou fazer ameaças à Carol dizendo que quem mandava era ela e que ela havia estudado e blábláblá... a mesma história de sempre, como alguém se atreve questionar um ser superior! A dra. falou que se ela quisesse continuar com aquele absurdo, teria que assinar um termo dizendo que se o bebê viesse à óbito a responsabilidade seria toda dela, nessa hora, ela já estava chorando, fragilizada, sozinha e acuada e disse para a médica estava nas mãos dela e que teria que confiar, que ele fizesse o que ela achava melhor!

Colocaram ela na ocitocina, as dores começaram e ela só chorava , então veio uma enfermeira e falou ironicamente:" Agora tá doendo né ?" e a Carol respondeu : "é a dor do medo , da solidão e do desrespeito!" Pois eu sempre falava isso p elas nos nossos encontros, a pior dor não é a do parto!  E infelizmente ela acabou conhecendo  a pior dor... Como eu queria ver a cara da pessoa quando ouviu isso!

Depois disso , veio analgesia, mesmo sem ter sido solicitada, a episiotomia, chamaram o pai,  e nasceu o Emanuel... como ela mesma me disse, o momento que deveria ser o mais lindo da sua vida, ela só chorava e queria que tudo acabasse logo, mas o bebê estava bem , e era isso que importava!


Pai, afasta de mim esse cale-se!




domingo, 2 de junho de 2013

Uma cascata de intervenções !

No último post eu relatei uma intervenção desnecessária que gerou uma cesárea de "emergência???"  Então vou tentar explicar aqui de uma forma bem simples porque uma intervenção desnecessária gera uma cascata de intervenções, tipo efeito dominó .

Imaginem um parto domiciliar em que a mãe está sendo bem assistida, ao lado de pessoas que a amam e que não irão forçar uma situação que a gestante não pediu ou não escolheu daquela forma. Vou deixar bem claro aqui que estou falando de um parto saudável, em que mãe e bebê estão sendo monitorados, e tudo vai muito bem obrigada! É óbvio que incidentes acontecem e podemos precisar sim de intervenções NECESSÁRIAS! 

Agora, imaginem uma mãe chegando em uma maternidade, dessas que nós conhecemos muito bem, um local onde 90% acabam em cirurgia, onde plantonistas só querem terminar o mais rápido possível o seu trabalho, não consigo nem explicar o porquê, se eles estão de plantão, eles deveriam ter todo o tempo do mundo, mas enfim, esta é a nossa realidade. Continuando... então essa parturiente chega no hospital ainda na fase latente, que é o início do TP mais ou menos com 4cm de dilatação, uma gestante que não foi informada, que não sabe o que está acontecendo com o seu corpo, assustada, sem saber o que fazer . Colocam ela na cadeira de rodas (1° intervenção) , vão examiná-la e ela vai p o C.O. e dizem para o acompanhante ficar do lado de fora que na hora do nascimento eles virão chamá-lo, quanta bondade, (segunda intervenção), aí começam os preparativos, tricotomia, lavagem intestinal, colocam o sorinho e orientam que ela fique deitada (mais quatro intervenções), tudo isso foi feito porque são "normas" do hospital, eles fazem dessa forma porque fazem!

Nesta hora, o TP é interrompido, pois tiraram o direito ao seu acompanhante, ela está insegura, frágil, com frio e com medo e deitada por imposição, o seu corpo já não libera mais a ocitocina("hormônio do amor", que faz com que seu útero contraia)e sim está cheio de adrenalina, e ocitocina e adrenalina nunca andam juntos, se um sobe o outro desce! Então a equipe decide dar uma ajudinha, pois está demorando demais e as contrações diminuiram muito! Começa a indução com a ocitocina sintética(sétima intervenção)o que torna as contrações muito mais doloridas, então a gestante não suporta mais tanta dor e não tem uma mão amiga que ela possa segurar, eles oferecem analgesia (oitava intervenção), "que alívio, que equipe maravilhosa!" 
Chega a dilatação total que é 10 cm e eles orientam que ela empurre o bebê. Empurrar como? Ela não sente nada da barriga p baixa, então eles indicam à ela a hora certa de empurrar( nona intervenção) , o bebê não desce, então o médico pede que alguém, uma enfermeira ou o próprio anestesista empurre o bebê com os cotovelos, que se chama manobra de Kristeller, uma intervenção  violenta e antiquada que pode levar à ruptura uterina, que se eu não me engano já foi proibida,mas ainda é muito usada (décima intervenção), ainda assim o bebê não desce, a mãe "não sabe" fazer a força certa! Mais uma tentativa, vamos usar o fórceps(décima primeira intervenção), mas antes devemos fazer uma episiotomia que é o corte vaginal (décima segunda intervenção).

Então o bebê nasce, mostram por 5 segundinhos para a mãe, mais uma vez quanta bondade! E é levado para ser examinado, e fazer todos os procedimentos de praxe, e volta para os braços da mãe depois de uma 3 ou 4hs, para finalmente ser amamentado! (décima quarta, quinta , sexta...)

Depois de tudo isso, a gestante vai narrar o seu parto para família e amigos com lágrima nos olhos após tanto sofrimento e ouve a frase: Viu, não falamos que a cesárea seria muito melhor e mais fácil?

E, assim , acaba nossa história... claro que não será sempre dessa forma, alguma coisa ou outra será mudada, as intervenções podem ser outras como a ruptura da bolsa, ou não  chegar a tanto extremo, ou realmente acabar em uma cesárea! Aí, a gestante ouviria:" sofreu tanto e acabou em cesárea!"

E também tenho a história de uma gestante que tinha uma doula , foi bem instruída, fez seu plano de parto, mas foi totalmente desrespeitada e ameaçada... mas isto fica para a próxima postagem!

Carla Bichara


sábado, 1 de junho de 2013

Mais uma vez...

Ontem  fui atender uma gestante em TP , cheguei na casa dela às 15hs e ela estava super bem, ela foi perfeita , se movimentava om tempo todo, quando vinha a contração ela obedecia o seu corpo e se agachava, mexia os quadris, dançava, calma, tranquila, feliz, como se tivesse se preparado para aquele momento toda sua vida! Enfim o verdadeiro trabalho de parto ativo ! Era sua terceira gestação,e seria seu segundo parto normal, pois no segundo bebê, devido à gripe H1N1  a médica indicou uma cesárea por "precaução".

Nós nos conhecemos há um mês atrás quando eu fui oferecer o meu trabalho de doula p ela, pois vi de longe que  não estava bem , e parecia muito incomodada, quando começamos conversar, me disse que faria uma cesárea, porque a médica já havia decidido e já que  iria fazer uma laqueadura... mas enquanto  conversava comigo, ela só chorava e eu vi que estava muito indecisa, triste e insegura, então nós  oramos e falei p que Deus colocasse paz em seu coração se fosse para optar pelo parto normal , e ela mudou totalmente de idéia, largou a médica que estava pressionando a cesárea antes do dia 30, pois a mesma iria viajar para fora do Brasil , e optou pelo parto normal, que na verdade era tudo o que ela queria e só precisava que alguém a apoiasse. 

Então quando as contrações começaram aumentar, fomos para a maternidade e para a nossa alegria , ela já estava com 8 de dilatação, exatamente do jeito que havíamos combinado, pois não queríamos intervenções desnecessárias.. antes tivéssemos esperado o bebê coroar do lado de fora daquele maldito hospital! 

Então,  os problemas começaram acontecer, primeiro que a médica plantonista queria cobrar do pai R$ 500,00 alegando que não trabalhava com o convênio, o marido dela soube se defender e colocou a médica em seu devido lugar dizendo que conhecia os seus  direitos .Segundo, que a médica do cesarista do pré-natal não havia feita carteirinha de gestante e  não havia nenhuma informação sobre a gestação e ela pediu que o pai fosse em casa para buscar.


Então fomos p o centro cirúrgico, e a equipe foi  colocando o soro p fazer analgesia, e ela falou calmamente que não queria , e eles tiveram que aceitar, ela estava muito bem, super corajosa, queria ficar em pé se movimentando, e ficou acertado que o pai entraria na hora do nascimento, eu nem acreditava que tudo estava correndo tão bem , ela empoderada, sabendo o que e como queria, e até ali, a médica respeitando a vontade dela.

Por volta das 6hs,a médica resolveu que ia romper bolsa ( o plantão dela acabava às 19h e ela queria que o bebê nascesse) então a Josi (gestante)  disse que não queria romper, que queria esperar a hora do bebê nascer sem intervenções! A médica fez de conta que não ouviu , deitou ela na cama, viu os batimentos que estavam perfeitos, a pressão 110x70, e rompeu a bolsa, sem autorização, sem o mínimo respeito, porque ela estava com muita pressa! Ela não podia esperar acontecer naturalmente, foi aí que tudo mudou! O sonho virou um pesadelo!

A barriga dela "embolou tudo de um lado só , como se o bebê tivesse virado, ela não deixou mais a Jo levantar, mandou ela ficar de lado,e saiu, de repente ela veio ouvir os batimentos e falou que o bebê estava em sofrimento fetal , que ela não iria abaixar o apgar do bebê e que aquilo era uma ordem médica e quem mandava e decidia era ela, ela nem sequer esperou 5 minutos para repetir o exame, ela nem pediu para ela mudar de posição, não, aquilo podia demorar uma hora ainda, como ela mesma falou ... 


Nunca vou me esquecer do olhar da minha querida doulanda, me dizia tudo: decepção, medo, insegurança, tristeza e eu via naquele simples olhar como se ela me dissesse:  eu optei pelo parto normal, eu fiz tudo certinho como vc me falou, por que esta acontecendo isso? Ela me perguntou: e agora Carla? Eu apenas respondi : fica tranquila, Deus está no controle...então me mandaram sair correndo da sala, realmente me expulsaram do C.O. pois as "coisas haviam mudado!" 

Conversei com o pai, oramos para que o bebê ficasse bem e ele foi assistir a cesárea. E assim nasceu o Davi, com uma cesárea de emergência, perfeito, saudável , sem nenhum sinal de sofrimento fetal!

Eu vim p casa arrasada, com vontade chorar, decepcionada, com um aperto no peito, parecia que estava engasgada, mas pensando, Deus deve ter nos livrado de algo muito pior! Até pensei, nossa, ainda bem que não era um parto domiciliar, o bebê poderia ter morrido! 


Então enquanto estava tomando banho, algo começou me incomodar: não, aquilo não foi a vontade de Deus, aquilo foi violência obstétrica!  E eu senti muito forte no meu coração, se tivesse sido um parto em casa, com uma equipe humanizada, aquilo nunca teria acontecido! 

Eu estava incomodada o dia inteiro que algo iria acontecer, mas eu me esqueci que estava indo para uma batalha, eu fui de peito aberto, devia ter orado mais, clamado mais, orientado melhor a Jo para que ela não cedesse, eu baixei a guarda e perdi a batalha!

Pedi opinião de algumas doulas e obstetrizes e elas disseram exatamente o que eu já imaginava, uma intervenção desumana, intransigente e totalmente desnecessária como a ruptura da bolsa em um parto que estava perfeito,  gerou a pior intervenção do mundo , uma cesárea de emergência com 9cm de dilatação, em uma mãe que tinha tudo para um parto natural e  maravilhoso como ela havia sonhado,  tudo o que mãe e bebê precisavam,  era de uma profissonal de verdade, que não colocasse os interesses dela em primeiro lugar, e um pouco de paciência!

O que passa na cabeça desses médicos?  Porque ela simplesmente não passou para o outro plantonista? Eles não se importam mais com as pacientes? Eles não tem ética? E se fosse com alguém da família deles? O que aconteceu com essa espécie de ser humano? Porque estudaram obstetrícia? Porque não fizeram cirurgia geral já que amam tanto o bisturi e odeiam parto normal? 

Até quando vamos relatar este tipo de situação??????? Quando isso vai acabar???????? 




quarta-feira, 29 de maio de 2013

E se a bolsa romper antes do TP?

Genteeee!!!!!!!!!! Não é igual na novela, não precisa sair correndo para a maternidade, as contrações não começam com tudo de repente como se o bebê fosse nascer 5 min. depois da bolsa se romper...
Achei um post interessantíssimo sobre o assunto...
por Rosana Oshiro 

Você sabe o que fazer se a bolsa romper antes de começar o trabalho de parto?
Você sabia que isso acontece bastante entre as gestantes, mas NÃO É O NORMAL???
Vou falar aqui sobre os cuidados e o que deve-se, ou não, fazer em caso de BOLSA ROTA.

A primeira coisa a fazer é se verificar se a bolsa rompeu mesmo e se você está perdendo líquido, ou seja, o liquido fica escorrendo aos poucos, e há presença de muco e sangue.

Na verdade, temos duas camadas na bolsa, e às vezes rompe a camada de fora, dá uma esguichada e pronto, não sai mais nada. E o TP ainda pode demorar dias para começar.

Quando a bolsa se rompe "para valer" ficam saindo jatos involuntários de liquido, e aí sim, a cavidade do útero fica exposta à entrada de bactérias.

Às vezes as bactérias já estão lá e fazem justamente com que a bolsa se rompa. Ninguém sabe o que vem primeiro, a bolsa rota ou a infecção. Acredito que existem os 2 caminhos, infecção após bolsa rota, e bolsa rota por causa da infecção.

A primeira coisa a se observar é a cor do liquido e o cheiro.

Se o liquido for clarinho e não houver cheiro forte, não há razão para desespero, deve-se fazer exercícios, tomar chá de canela com gengibre, tentar descansar até a hora em que o TP engrene, e se hidratar, bebendo bastante água, para só depois ir ao hospital.

Se o liquido for verde clarinho é preciso ir ao hospital, mas não precisa se desesperar, dá para tomar um banho e arrumar uma mala que ainda não esteja pronta, sempre bebendo água.

Se o liquido for verde escuro é preciso ir ao hospital imediatamente, mas ainda assim, sem desespero, porque o mecônio é apenas sinal de maturidade do bebê e nada mais.

Não pense que nesse caso é indicada a cesarea, o mais indicado é o parto normal, se tudo estiver bem, porque ao passar pelo canal do parto o bebê tem as vias aereas aspiradas, o que não ocorre se for feita a cirurgia.

Um dos exames realizados antes do parto no Japão, é de Estreptococus, que é uma bactéria que se contaminar o bebê, pode levá-lo a óbito.

Esse é o grande medo da "bolsa rota". É disso que os médicos têm medo e dizem que precisa operar com urgência depois de 6 horas de bolsa rota no Brasil, não sei como funciona aqui, portanto, antes de aceitar uma cirurgia, questionem as opções e urgencias reais.

E ainda assim, é bom a gente saber que mesmo com a infecção, mesmo que a infecção comece a produzir sinais no bebê e na mãe (febre materna, taquicardia fetal), ainda assim dá tempo de agir, ou seja, não há razão para se operar uma mulher porque a bolsa rompeu.

Trinta por cento das mulheres têm strepto e não sabem. No sistema público de saúde do Brasil, nem pedem este exame, porque a indicação de antibiótico durante o TP é ineficaz e questionável.

Eu mesma nunca fiz esse exame, a não ser aqui, e quando tive bolsa rota, aguardei por mais de 16h para depois ir ao hospital.

Em caso de ter o resultado de Estreptococus Positivo você pode tratar-se colocando um dente de alho no canal vaginal todos os dias durante uma semana, e depois refazer o exame para verificar se zerou.

O mais importante ao sentir que sua bolsa rompeu, antes de iniciar o trabalho de parto, é manter-se tranquila e segura de que existem opções para você, antes de ir direto para o hospital e acabar aceitando uma cesárea sem real necessidade.

O GO dos Meus, dos Seus, dos Nossos Sonhos!!!!!!!!!!

Tanto temos falado de parto humanizado, de mentira e enganos dos médicos, parece que estamos vivendo uma guerra: obstetras de um lado (do mal claro....rsrs) e doulas, enfermeiras e obstetrizes do outro . Eu conheço apenas duas GOs que eu indicaria de olhos fechados para as minhas parturientes, mas elas estão sempre com suas agendas lotadas e parece um "verdadeiro parto" conseguir um horário com elas! 

Em todos os partos que eu tenho atendido , parece que eles fazem questão de me mostrar a minha insignificância diante de sua equipe hospitalar, mal olham nos meus olhos, falar comigo então , nem pensar!

Fora quando eu ligo para um hospital particular e ouço da enfermeira chefe: 
O diretor do hospital proibiu a entrada de doula no C.O.! 
Eu respondo :  Como assim ? E a lei do acompanhante? Se a minha gestante optar pela minha companhia não tem como barrar a minha entrada!
Enfermeira: Só o pai pode ser acompanhante !
Eu ( respirando fundo , com vontade de gritar): Então , já que é proibida a entrada de doula, eu vou dizer que sou amiga, irmã, mãe (que não é mentira, pois durante o percurso é o que nos tornamos) e vcs tem que me deixar entrar, porque a ESCOLHA É DA GESTANTE!
Enfermeira: Não acho viável vc falar mentiras né ? 
Eu (roxa de tanta raiva) : Então minha gestante vai optar por outro hospital!
Enfermeira: Vcs decidem o que é melhor !

E assim acabou nossa conversa tão amistosa! Meu Deus! Quem vai nos defender Senhor? Quando vou poder fazer meu trabalho que tanto amo, sem ser humilhada e rejeitada por este sistema absurdo, corrupto e mentiroso?

Eu não quero ser médica, eu não quero ser enfermeira, eu quero ser doulaaaaa !!!!!!!!!!!!!! Porque não me deixam fazer o meu trabalho? Fora os hospitais, que falam para as gestantes que aceitam sim o trabalho de doula e na hora chega um plantonista "semi deus" e diz: no meu plantão eu não me responsabilizo por doulas!
Se responsabiliza pelo que? O que ele acha que eu faço? E se eu continuar a contar todos os maus tratos vou começar a chorar...

 Então hoje eu li uma entrevista de um médico de Florianópolis em que ele falava do atendimento pelo SUS fosse humanizado e que já que a lei só permitia um acompanhante de cada vez, então que deixassem a doula no pré parto e o pai entrasse na hora do nascimento! 

Trechos da entrevista:
Desde 2005, uma lei federal garante à gestante o direito de levar um acompanhante para a sala de parto. Se a mulher ficar dividida entre levar o marido ou uma enfermeira, poderia haver um acerto para os dois trocarem de lugar na hora do nascimento. Então a doula (acompanhante que auxilia a parturiente) ou a enfermeira estaria dando suporte à gestante na maior parte do tempo.

E a parte mais linda da entrevista:
O que é parto humanizado? 
Ele não é uma modalidade de nascimento, muita gente ainda faz essa confusão, achando que parto humanizado só pode ser natural, de cócoras, na água. Mas qualquer parto pode ser humanizado. O objetivo do parto humanizado é tornar o momento especial e com boas recordações. Que o nascimento ocorra num ambiente seguro, tranquilo, com alívio da dor e na companhia que a mãe escolher. O parto é da família e cabe ao médico assistir ao nascimento sem interferências. O parto humanizado devolve isso para a mulher.


Ele existe! Um médico que defende parturientes, parto normal e doulas! De onde saiu esse tem mais???? Por favor mandem p Curitibaaaaa !!!!!!!!!!!!! Será que tem uns desses escondidos por aqui, que eu ainda não conheço? Será que está disfarçado? Deus, manda ele p nos defender! 

Carla Bichara