segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ditadura Obstétrica !

Conforme o prometido no último post, vou contar a história da minha doulanda que foi bem instruída (por mim é claro....rsrs), fez seu plano de parto , mas de nada adiantou...

Quando a Carol começou frequentar  nossos encontros para gestantes ela já estava com umas 20 semanas de gestação, e ela sempre fazia muitas perguntas, querendo ficar o mais informada possível para que não fosse enganada pelos médicos na hora do TP. Como ela já havia decidido que não iria pagar a taxa de disponibilidade, pois o sufoco iria ser o mesmo, o médico dela era super cesarista, ela optou que fosse com plantonistas da maternidade X,  que era onde seu plano cobria.

Então quando foi chegando mais perto do nascimento  do seu bebê,  ligou na maternidade, e disseram à ela que poderia ter apenas um acompanhante no C.O., então ficou decidido que o marido que iria acompanhá-la e  disse que iria fazer um plano de parto, de todas as intervenções que ela não queria que ocorressem sem necessidade. E foi o que fizemos. E também deixei ela bem consciente da lei do acompanhante e que levasse sempre impressa na carteirinha de gestante, que é como eu sempre instruo as minhas meninas.

 Quando  já estava de 40 semanas, como eu não seria sua doula,  pois a Carol  havia optada pela presença do marido, eu fui viajar no feriado de sete de setembro, e quando estávamos vindo embora em uma viagem que dura 2hs e eu já estava há  7hs na estrada por conta de um congestionamento, ela me ligou dizendo que já estava internada  com 8 cm de dilatação e que por enquanto não sentia dor nenhuma,  que só foi na emergência para monitorar o bebê e ver se estava tudo bem e já estava nesse estágio! Que maravilha! Me disse que ainda estava no quarto e queria muito que eu fosse ficar com ela, que agonia, uma gestante precisando de mim e eu presa no congestionamento!

Depois, me ligou novamente dizendo que estava indo para o centro obstétrico sozinha, pois só deixariam o seu marido entrar na hora do parto, e o marido não sabendo como agir, acabou aceitando o fato. Quando fui visitá-la no outro dia, ela me contou que foi troca de plantão e quando a nova médica ficou sabendo que ela tinha um plano de parto e  que ela não queria aquelas intervenções, ficou louca e começou fazer ameaças à Carol dizendo que quem mandava era ela e que ela havia estudado e blábláblá... a mesma história de sempre, como alguém se atreve questionar um ser superior! A dra. falou que se ela quisesse continuar com aquele absurdo, teria que assinar um termo dizendo que se o bebê viesse à óbito a responsabilidade seria toda dela, nessa hora, ela já estava chorando, fragilizada, sozinha e acuada e disse para a médica estava nas mãos dela e que teria que confiar, que ele fizesse o que ela achava melhor!

Colocaram ela na ocitocina, as dores começaram e ela só chorava , então veio uma enfermeira e falou ironicamente:" Agora tá doendo né ?" e a Carol respondeu : "é a dor do medo , da solidão e do desrespeito!" Pois eu sempre falava isso p elas nos nossos encontros, a pior dor não é a do parto!  E infelizmente ela acabou conhecendo  a pior dor... Como eu queria ver a cara da pessoa quando ouviu isso!

Depois disso , veio analgesia, mesmo sem ter sido solicitada, a episiotomia, chamaram o pai,  e nasceu o Emanuel... como ela mesma me disse, o momento que deveria ser o mais lindo da sua vida, ela só chorava e queria que tudo acabasse logo, mas o bebê estava bem , e era isso que importava!


Pai, afasta de mim esse cale-se!




domingo, 2 de junho de 2013

Uma cascata de intervenções !

No último post eu relatei uma intervenção desnecessária que gerou uma cesárea de "emergência???"  Então vou tentar explicar aqui de uma forma bem simples porque uma intervenção desnecessária gera uma cascata de intervenções, tipo efeito dominó .

Imaginem um parto domiciliar em que a mãe está sendo bem assistida, ao lado de pessoas que a amam e que não irão forçar uma situação que a gestante não pediu ou não escolheu daquela forma. Vou deixar bem claro aqui que estou falando de um parto saudável, em que mãe e bebê estão sendo monitorados, e tudo vai muito bem obrigada! É óbvio que incidentes acontecem e podemos precisar sim de intervenções NECESSÁRIAS! 

Agora, imaginem uma mãe chegando em uma maternidade, dessas que nós conhecemos muito bem, um local onde 90% acabam em cirurgia, onde plantonistas só querem terminar o mais rápido possível o seu trabalho, não consigo nem explicar o porquê, se eles estão de plantão, eles deveriam ter todo o tempo do mundo, mas enfim, esta é a nossa realidade. Continuando... então essa parturiente chega no hospital ainda na fase latente, que é o início do TP mais ou menos com 4cm de dilatação, uma gestante que não foi informada, que não sabe o que está acontecendo com o seu corpo, assustada, sem saber o que fazer . Colocam ela na cadeira de rodas (1° intervenção) , vão examiná-la e ela vai p o C.O. e dizem para o acompanhante ficar do lado de fora que na hora do nascimento eles virão chamá-lo, quanta bondade, (segunda intervenção), aí começam os preparativos, tricotomia, lavagem intestinal, colocam o sorinho e orientam que ela fique deitada (mais quatro intervenções), tudo isso foi feito porque são "normas" do hospital, eles fazem dessa forma porque fazem!

Nesta hora, o TP é interrompido, pois tiraram o direito ao seu acompanhante, ela está insegura, frágil, com frio e com medo e deitada por imposição, o seu corpo já não libera mais a ocitocina("hormônio do amor", que faz com que seu útero contraia)e sim está cheio de adrenalina, e ocitocina e adrenalina nunca andam juntos, se um sobe o outro desce! Então a equipe decide dar uma ajudinha, pois está demorando demais e as contrações diminuiram muito! Começa a indução com a ocitocina sintética(sétima intervenção)o que torna as contrações muito mais doloridas, então a gestante não suporta mais tanta dor e não tem uma mão amiga que ela possa segurar, eles oferecem analgesia (oitava intervenção), "que alívio, que equipe maravilhosa!" 
Chega a dilatação total que é 10 cm e eles orientam que ela empurre o bebê. Empurrar como? Ela não sente nada da barriga p baixa, então eles indicam à ela a hora certa de empurrar( nona intervenção) , o bebê não desce, então o médico pede que alguém, uma enfermeira ou o próprio anestesista empurre o bebê com os cotovelos, que se chama manobra de Kristeller, uma intervenção  violenta e antiquada que pode levar à ruptura uterina, que se eu não me engano já foi proibida,mas ainda é muito usada (décima intervenção), ainda assim o bebê não desce, a mãe "não sabe" fazer a força certa! Mais uma tentativa, vamos usar o fórceps(décima primeira intervenção), mas antes devemos fazer uma episiotomia que é o corte vaginal (décima segunda intervenção).

Então o bebê nasce, mostram por 5 segundinhos para a mãe, mais uma vez quanta bondade! E é levado para ser examinado, e fazer todos os procedimentos de praxe, e volta para os braços da mãe depois de uma 3 ou 4hs, para finalmente ser amamentado! (décima quarta, quinta , sexta...)

Depois de tudo isso, a gestante vai narrar o seu parto para família e amigos com lágrima nos olhos após tanto sofrimento e ouve a frase: Viu, não falamos que a cesárea seria muito melhor e mais fácil?

E, assim , acaba nossa história... claro que não será sempre dessa forma, alguma coisa ou outra será mudada, as intervenções podem ser outras como a ruptura da bolsa, ou não  chegar a tanto extremo, ou realmente acabar em uma cesárea! Aí, a gestante ouviria:" sofreu tanto e acabou em cesárea!"

E também tenho a história de uma gestante que tinha uma doula , foi bem instruída, fez seu plano de parto, mas foi totalmente desrespeitada e ameaçada... mas isto fica para a próxima postagem!

Carla Bichara


sábado, 1 de junho de 2013

Mais uma vez...

Ontem  fui atender uma gestante em TP , cheguei na casa dela às 15hs e ela estava super bem, ela foi perfeita , se movimentava om tempo todo, quando vinha a contração ela obedecia o seu corpo e se agachava, mexia os quadris, dançava, calma, tranquila, feliz, como se tivesse se preparado para aquele momento toda sua vida! Enfim o verdadeiro trabalho de parto ativo ! Era sua terceira gestação,e seria seu segundo parto normal, pois no segundo bebê, devido à gripe H1N1  a médica indicou uma cesárea por "precaução".

Nós nos conhecemos há um mês atrás quando eu fui oferecer o meu trabalho de doula p ela, pois vi de longe que  não estava bem , e parecia muito incomodada, quando começamos conversar, me disse que faria uma cesárea, porque a médica já havia decidido e já que  iria fazer uma laqueadura... mas enquanto  conversava comigo, ela só chorava e eu vi que estava muito indecisa, triste e insegura, então nós  oramos e falei p que Deus colocasse paz em seu coração se fosse para optar pelo parto normal , e ela mudou totalmente de idéia, largou a médica que estava pressionando a cesárea antes do dia 30, pois a mesma iria viajar para fora do Brasil , e optou pelo parto normal, que na verdade era tudo o que ela queria e só precisava que alguém a apoiasse. 

Então quando as contrações começaram aumentar, fomos para a maternidade e para a nossa alegria , ela já estava com 8 de dilatação, exatamente do jeito que havíamos combinado, pois não queríamos intervenções desnecessárias.. antes tivéssemos esperado o bebê coroar do lado de fora daquele maldito hospital! 

Então,  os problemas começaram acontecer, primeiro que a médica plantonista queria cobrar do pai R$ 500,00 alegando que não trabalhava com o convênio, o marido dela soube se defender e colocou a médica em seu devido lugar dizendo que conhecia os seus  direitos .Segundo, que a médica do cesarista do pré-natal não havia feita carteirinha de gestante e  não havia nenhuma informação sobre a gestação e ela pediu que o pai fosse em casa para buscar.


Então fomos p o centro cirúrgico, e a equipe foi  colocando o soro p fazer analgesia, e ela falou calmamente que não queria , e eles tiveram que aceitar, ela estava muito bem, super corajosa, queria ficar em pé se movimentando, e ficou acertado que o pai entraria na hora do nascimento, eu nem acreditava que tudo estava correndo tão bem , ela empoderada, sabendo o que e como queria, e até ali, a médica respeitando a vontade dela.

Por volta das 6hs,a médica resolveu que ia romper bolsa ( o plantão dela acabava às 19h e ela queria que o bebê nascesse) então a Josi (gestante)  disse que não queria romper, que queria esperar a hora do bebê nascer sem intervenções! A médica fez de conta que não ouviu , deitou ela na cama, viu os batimentos que estavam perfeitos, a pressão 110x70, e rompeu a bolsa, sem autorização, sem o mínimo respeito, porque ela estava com muita pressa! Ela não podia esperar acontecer naturalmente, foi aí que tudo mudou! O sonho virou um pesadelo!

A barriga dela "embolou tudo de um lado só , como se o bebê tivesse virado, ela não deixou mais a Jo levantar, mandou ela ficar de lado,e saiu, de repente ela veio ouvir os batimentos e falou que o bebê estava em sofrimento fetal , que ela não iria abaixar o apgar do bebê e que aquilo era uma ordem médica e quem mandava e decidia era ela, ela nem sequer esperou 5 minutos para repetir o exame, ela nem pediu para ela mudar de posição, não, aquilo podia demorar uma hora ainda, como ela mesma falou ... 


Nunca vou me esquecer do olhar da minha querida doulanda, me dizia tudo: decepção, medo, insegurança, tristeza e eu via naquele simples olhar como se ela me dissesse:  eu optei pelo parto normal, eu fiz tudo certinho como vc me falou, por que esta acontecendo isso? Ela me perguntou: e agora Carla? Eu apenas respondi : fica tranquila, Deus está no controle...então me mandaram sair correndo da sala, realmente me expulsaram do C.O. pois as "coisas haviam mudado!" 

Conversei com o pai, oramos para que o bebê ficasse bem e ele foi assistir a cesárea. E assim nasceu o Davi, com uma cesárea de emergência, perfeito, saudável , sem nenhum sinal de sofrimento fetal!

Eu vim p casa arrasada, com vontade chorar, decepcionada, com um aperto no peito, parecia que estava engasgada, mas pensando, Deus deve ter nos livrado de algo muito pior! Até pensei, nossa, ainda bem que não era um parto domiciliar, o bebê poderia ter morrido! 


Então enquanto estava tomando banho, algo começou me incomodar: não, aquilo não foi a vontade de Deus, aquilo foi violência obstétrica!  E eu senti muito forte no meu coração, se tivesse sido um parto em casa, com uma equipe humanizada, aquilo nunca teria acontecido! 

Eu estava incomodada o dia inteiro que algo iria acontecer, mas eu me esqueci que estava indo para uma batalha, eu fui de peito aberto, devia ter orado mais, clamado mais, orientado melhor a Jo para que ela não cedesse, eu baixei a guarda e perdi a batalha!

Pedi opinião de algumas doulas e obstetrizes e elas disseram exatamente o que eu já imaginava, uma intervenção desumana, intransigente e totalmente desnecessária como a ruptura da bolsa em um parto que estava perfeito,  gerou a pior intervenção do mundo , uma cesárea de emergência com 9cm de dilatação, em uma mãe que tinha tudo para um parto natural e  maravilhoso como ela havia sonhado,  tudo o que mãe e bebê precisavam,  era de uma profissonal de verdade, que não colocasse os interesses dela em primeiro lugar, e um pouco de paciência!

O que passa na cabeça desses médicos?  Porque ela simplesmente não passou para o outro plantonista? Eles não se importam mais com as pacientes? Eles não tem ética? E se fosse com alguém da família deles? O que aconteceu com essa espécie de ser humano? Porque estudaram obstetrícia? Porque não fizeram cirurgia geral já que amam tanto o bisturi e odeiam parto normal? 

Até quando vamos relatar este tipo de situação??????? Quando isso vai acabar???????? 




quarta-feira, 29 de maio de 2013

E se a bolsa romper antes do TP?

Genteeee!!!!!!!!!! Não é igual na novela, não precisa sair correndo para a maternidade, as contrações não começam com tudo de repente como se o bebê fosse nascer 5 min. depois da bolsa se romper...
Achei um post interessantíssimo sobre o assunto...
por Rosana Oshiro 

Você sabe o que fazer se a bolsa romper antes de começar o trabalho de parto?
Você sabia que isso acontece bastante entre as gestantes, mas NÃO É O NORMAL???
Vou falar aqui sobre os cuidados e o que deve-se, ou não, fazer em caso de BOLSA ROTA.

A primeira coisa a fazer é se verificar se a bolsa rompeu mesmo e se você está perdendo líquido, ou seja, o liquido fica escorrendo aos poucos, e há presença de muco e sangue.

Na verdade, temos duas camadas na bolsa, e às vezes rompe a camada de fora, dá uma esguichada e pronto, não sai mais nada. E o TP ainda pode demorar dias para começar.

Quando a bolsa se rompe "para valer" ficam saindo jatos involuntários de liquido, e aí sim, a cavidade do útero fica exposta à entrada de bactérias.

Às vezes as bactérias já estão lá e fazem justamente com que a bolsa se rompa. Ninguém sabe o que vem primeiro, a bolsa rota ou a infecção. Acredito que existem os 2 caminhos, infecção após bolsa rota, e bolsa rota por causa da infecção.

A primeira coisa a se observar é a cor do liquido e o cheiro.

Se o liquido for clarinho e não houver cheiro forte, não há razão para desespero, deve-se fazer exercícios, tomar chá de canela com gengibre, tentar descansar até a hora em que o TP engrene, e se hidratar, bebendo bastante água, para só depois ir ao hospital.

Se o liquido for verde clarinho é preciso ir ao hospital, mas não precisa se desesperar, dá para tomar um banho e arrumar uma mala que ainda não esteja pronta, sempre bebendo água.

Se o liquido for verde escuro é preciso ir ao hospital imediatamente, mas ainda assim, sem desespero, porque o mecônio é apenas sinal de maturidade do bebê e nada mais.

Não pense que nesse caso é indicada a cesarea, o mais indicado é o parto normal, se tudo estiver bem, porque ao passar pelo canal do parto o bebê tem as vias aereas aspiradas, o que não ocorre se for feita a cirurgia.

Um dos exames realizados antes do parto no Japão, é de Estreptococus, que é uma bactéria que se contaminar o bebê, pode levá-lo a óbito.

Esse é o grande medo da "bolsa rota". É disso que os médicos têm medo e dizem que precisa operar com urgência depois de 6 horas de bolsa rota no Brasil, não sei como funciona aqui, portanto, antes de aceitar uma cirurgia, questionem as opções e urgencias reais.

E ainda assim, é bom a gente saber que mesmo com a infecção, mesmo que a infecção comece a produzir sinais no bebê e na mãe (febre materna, taquicardia fetal), ainda assim dá tempo de agir, ou seja, não há razão para se operar uma mulher porque a bolsa rompeu.

Trinta por cento das mulheres têm strepto e não sabem. No sistema público de saúde do Brasil, nem pedem este exame, porque a indicação de antibiótico durante o TP é ineficaz e questionável.

Eu mesma nunca fiz esse exame, a não ser aqui, e quando tive bolsa rota, aguardei por mais de 16h para depois ir ao hospital.

Em caso de ter o resultado de Estreptococus Positivo você pode tratar-se colocando um dente de alho no canal vaginal todos os dias durante uma semana, e depois refazer o exame para verificar se zerou.

O mais importante ao sentir que sua bolsa rompeu, antes de iniciar o trabalho de parto, é manter-se tranquila e segura de que existem opções para você, antes de ir direto para o hospital e acabar aceitando uma cesárea sem real necessidade.

O GO dos Meus, dos Seus, dos Nossos Sonhos!!!!!!!!!!

Tanto temos falado de parto humanizado, de mentira e enganos dos médicos, parece que estamos vivendo uma guerra: obstetras de um lado (do mal claro....rsrs) e doulas, enfermeiras e obstetrizes do outro . Eu conheço apenas duas GOs que eu indicaria de olhos fechados para as minhas parturientes, mas elas estão sempre com suas agendas lotadas e parece um "verdadeiro parto" conseguir um horário com elas! 

Em todos os partos que eu tenho atendido , parece que eles fazem questão de me mostrar a minha insignificância diante de sua equipe hospitalar, mal olham nos meus olhos, falar comigo então , nem pensar!

Fora quando eu ligo para um hospital particular e ouço da enfermeira chefe: 
O diretor do hospital proibiu a entrada de doula no C.O.! 
Eu respondo :  Como assim ? E a lei do acompanhante? Se a minha gestante optar pela minha companhia não tem como barrar a minha entrada!
Enfermeira: Só o pai pode ser acompanhante !
Eu ( respirando fundo , com vontade de gritar): Então , já que é proibida a entrada de doula, eu vou dizer que sou amiga, irmã, mãe (que não é mentira, pois durante o percurso é o que nos tornamos) e vcs tem que me deixar entrar, porque a ESCOLHA É DA GESTANTE!
Enfermeira: Não acho viável vc falar mentiras né ? 
Eu (roxa de tanta raiva) : Então minha gestante vai optar por outro hospital!
Enfermeira: Vcs decidem o que é melhor !

E assim acabou nossa conversa tão amistosa! Meu Deus! Quem vai nos defender Senhor? Quando vou poder fazer meu trabalho que tanto amo, sem ser humilhada e rejeitada por este sistema absurdo, corrupto e mentiroso?

Eu não quero ser médica, eu não quero ser enfermeira, eu quero ser doulaaaaa !!!!!!!!!!!!!! Porque não me deixam fazer o meu trabalho? Fora os hospitais, que falam para as gestantes que aceitam sim o trabalho de doula e na hora chega um plantonista "semi deus" e diz: no meu plantão eu não me responsabilizo por doulas!
Se responsabiliza pelo que? O que ele acha que eu faço? E se eu continuar a contar todos os maus tratos vou começar a chorar...

 Então hoje eu li uma entrevista de um médico de Florianópolis em que ele falava do atendimento pelo SUS fosse humanizado e que já que a lei só permitia um acompanhante de cada vez, então que deixassem a doula no pré parto e o pai entrasse na hora do nascimento! 

Trechos da entrevista:
Desde 2005, uma lei federal garante à gestante o direito de levar um acompanhante para a sala de parto. Se a mulher ficar dividida entre levar o marido ou uma enfermeira, poderia haver um acerto para os dois trocarem de lugar na hora do nascimento. Então a doula (acompanhante que auxilia a parturiente) ou a enfermeira estaria dando suporte à gestante na maior parte do tempo.

E a parte mais linda da entrevista:
O que é parto humanizado? 
Ele não é uma modalidade de nascimento, muita gente ainda faz essa confusão, achando que parto humanizado só pode ser natural, de cócoras, na água. Mas qualquer parto pode ser humanizado. O objetivo do parto humanizado é tornar o momento especial e com boas recordações. Que o nascimento ocorra num ambiente seguro, tranquilo, com alívio da dor e na companhia que a mãe escolher. O parto é da família e cabe ao médico assistir ao nascimento sem interferências. O parto humanizado devolve isso para a mulher.


Ele existe! Um médico que defende parturientes, parto normal e doulas! De onde saiu esse tem mais???? Por favor mandem p Curitibaaaaa !!!!!!!!!!!!! Será que tem uns desses escondidos por aqui, que eu ainda não conheço? Será que está disfarçado? Deus, manda ele p nos defender! 

Carla Bichara



terça-feira, 28 de maio de 2013

Preconceituosa, eu ?

Tenho lido alguns fóruns, comentários e discussões em blogs de mulheres indignadas dizendo que estão se sentindo desrespeitadas, humilhadas e sofrendo preconceito por terem feito cesáreas necessárias ou não.

Então esses dias eu me pus à pensar: será que  realmente estamos cometendo esse tipo de violência ? Todas nós, militantes do parto normal, que encontramos uma verdade e sentimos vontade de realmente gritar ao mundo que o parto natural é o melhor para mãe e bebê, que há um monte de mentiras neste meio, que há "pessoas do mal" , ladrões  querendo roubar este momento mágico das gestantes, induzindo, abusando da confiança e do vínculo médico-paciente ? Nós, que nos dizemos tão  humanizadas????????? Será meu Deus? Será que viramos fanáticas, pessoas ditadoras, preconceituosas, que não respeitam o próximo?

Então eu me deparei com um texto lindo se eu não me engano da Ana Cris, eu não me lembro em qual blog...rsrs... eu leio tanto sobre esse assunto, que acabo me confundindo, mas continuando, o texto dela falava que quando lutamos por isso, ou quando as meninas contam seus relatos, dizendo que se sentiram mais mães, mais poderosas, mais mulheres depois que passaram pelo momento mais sublime de suas vidas, elas não estão falando de quem não fez, estão falando delas! Quando essas mulheres fazem passeata pedindo o parto normal. elas não tem frases nos cartazes dizendo "eu não respeito quem faz cesárea eletiva!" Elas estão pedindo respeito pelos SEUS desejos e vontades!

Então entendi que, vivemos uma falsa democracia neste país, se alguém se atreve pensar diferente dos outros, expor suas idéias, já é chamado de preconceituoso, se simplesmente  não concorda com o homossexualismo é chamado de homofóbico e se luta pelo parto humanizado é chamado de fanática!

Eu não vou deixar de lutar pelos meus valores, pelos meus princípios, não vou deixar de informar a verdade, de lutar contra as mentiras, não vou deixar de beneficiar tantas gestantes para não ofender algumas!

Somos todos iguais perante Deus , mas pensamos diferente uns dos outros , o meu certo pode ser errado p vc e vice versa, então vamos nos amar e nos respeitar as nossas diferenças!

Carla Bichara




domingo, 26 de maio de 2013

O parto que transformou uma menina medrosa em mulher corajosa !

      Na ultima postagem eu escrevi sobre pânico do parto normal e hoje quero compartilhar aqui ,o relato de parto de uma amiga que tinha verdadeiro horror ao parto normal , eu nem consegui ser sua doula, pois ela nem falava comigo sobre o tão temido assunto , ela sempre desconversava e eu nunca quis invadir uma área tão complicada e sofrida para ela.

      Mas, passado alguns meses, eu fiquei sabendo sobre o testemunho no blog dela   http://umdiadepoisdesermae.blogspot.com.br/ então corri para ver , e eis que me deparo com este relato lindo , perfeito, um verdadeiro milagre! Eu me emocionei, chorei, sorri e vibrei com ela !

     Algumas da minhas doulandas até já conhecem, pois tivemos um evento em que eu a chamei para testemunhar, e foi uma choradeira só, gestantes, mães, doulas ...  
      
          Segue abaixo o relato de uma menina que virou mulher, de uma pessoa cheia de traumas, medos, incertezas, que foi curada por Deus e hoje fala com convicção de sua identidade, de quem ela é e no que ela acredita e que também virou uma militante do parto normal! 



Resolvi escrever esse relato mesmo já fazendo quase 3 meses que meu bebê nasceu porque percebi que minha percepção e meus sentimentos sobre o meu parto mudaram muito, então pra que eu realmente não esqueça mais quero deixar registrado aqui...

Minha segunda gestação foi bastante tranquila muito parecida com a primeira, os mesmos enjoos as mesmas indisposições o mesmo sono a mesma choradeira e também a mesma diabetes gestacional, o que não me impediu de ter uma gravidez normal graças a dieta que sempre segui com rigor meus exames estavam sempre OK.

Fiz todo o meu pré Natal pelo SUS porque estamos sem convênio médico no momento, eu agradeço imensamente a Deus por isso porque tenho certeza que se tivesse eu jamais teria vivido essa experiência do parto normal!

Os meses foram passando e eu comecei a perguntar à médica que me atendia qual seria o meu tipo de parto e se eu corria algum risco em fazer parto normal já que eu tinha feito uma cesarea anterior(MITO), ela sempre me explicou que não teria problema algum mais sempre deixava claro que pelo meu histórico de diabetes eu faria cesarea novamente.Eu nunca insisti no parto normal confesso, sempre tive medo e era até meio traumatizada pelo fato de minha mãe ter perdido um filho no parto, e claro que pelas idéias que a sociedade tem hoje de que cesarea é a melhor opção, pra que sofrer? é o que dizem né...Quando eu estava com 39 semanas e meia comecei a ter contrações várias vezes ao dia, todas irregulares mais que já encomodavam um pouco, mesmo assim eu não tinha medo e nem ficava assustada pelo contrário cada vez sentia mais vontade e curiosidade de ter um parto normal, eu fiquei muito espantada com a mudança que Deus fez em meu coração na verdade foi pra foi mim um milagre eu me sentir tão segura, já que sempre tive um medo inexplicável de passar por isso.

Dia 01 de Janeiro acordei me sentindo super bem e até mais disposta do que nos ultimos dias eu estava com 40 semanas e 3 dias de gravidez, lá pelas 13:30h eu comecei a ter as mesmas contrações de antes mais dessa vez engrenaram e vinham a cada 5 minutos, esperei até ás 19:00h mais ou menos e ai sim decidi ir para a Maternidade, tomei um banho (todas fazem isso..rsrs) e fui, demorei um pouco pra ser atendida e quando a médica me examinou disse que eu estava com 1cm de dilatação e ainda bem no início do trabalho de parto, que era pra eu ficar calma descançar e voltar quando as contrações estivessem num intervalo de 3 minutos.

Fui pra casa achando que nem com 1cm eu estava pra mim eu estava sem dilatação nenhuma, no fundo era o medo mesmo por que a hora do parto estava se aproximando e eu fiquei um pouco insegura, tentei descançar tentei comer mais nada dava jeito na minha ansiedade, as contrações continuaram a cada 5 minutos e eu não parava de contar, não conseguia desligar minha cabeça disso.Eram 3:00h da madrugada do dia 02 quando tive uma contração bem forte, fui ao banheiro e saiu um pouquinho de sangue no papel higiênico dali em diante as contrações começaram a vir a cada 3 minutos, mesmo assim esperei até às 4:45h pra sair de casa e ir pra maternidade de novo.Chegando lá a médica de plantão estava fazendo um parto bem ao lado da recepção, na sala de pré parto porque a mulher chegou com o bebe já coroando e não tinha como esperar mais, nós conseguimos ouvir os gritos dela e meu marido na primeira já tirou sarro: Nossa essa ai tá parindo o que será?! rs

Não esqueço que respondi pra ele: Olha que meus gritos podem ser até pior hein..rs

Às 6:30h da manhã a médica me examinou e disse que eu ainda estava com 1cm de dilatação mais que meu colo estava progredindo, pediu pra eu caminhar por ali durante 1 hora comer alguma coisa e voltar pra ela examinar de novo...fomos eu e meu marido andar pela rua com tudo ainda fechado fomos até uma farmácia 24h e compramos umas besteiras pra comer e voltamos pra lá, cheguei e era outra médica no plantão ela me examinou e fez o exame de cardiotóco no bebê, e depois voltou dizendo que como eu estava com as contrações bem regulares ela iria me internar e ver se meu trabalho de parto ia evoluir pra normal ou se eu teria q fazer uma cesarea, mais já avisou que ia demorar porque eu estava bem no comecinho ainda.Uma enfermeira me trouxe uma camisola e pediu pra eu me trocar, dei minhas roupas pro me marido porque eu nao poderia ficar com nada de valor pra onde eu ia, pedi pro meu marido ir embora porque como sabia que ia demorar preferi que ele ficasse em casa com meu filho pra que eu estivesse tranquila e também porque ele estava muito nervoso e com medo, sei que ele não conseguiria passar tantas horas me vendo com dor.Me despedi dele e entrei com a enfermeira no centro obstétrico que é onde ficam as mulheres já em trabalho de parto ou fazendo a indução, lá tem 4 camas lado à lado separadas apenas por uma divisória fina, tipo uma paredinha de gesso e quando eu cheguei só tinham algumas enfermeiras e duas médicas, mais logo em seguida chegou outra mãe e ficou na cama do lado, eu já tinha me acostumado com as contrações e fiquei lá só imaginando à que horas meu bebê viria, como seria chegar em casa com ele e blábláblá. ÀS 10:00h da manhã mais ou menos vieram duas enfermeiras com um soro pra colocar em mim, e eu meia espantada perguntei: Mais que soro é esse? a enfermeira respondeu: é Ocitocina pra indução do parto, seu parto será induzido e caso nas próximas horas isso não dê certo ai sim você fará cesarea.

Nesse momento eu gelei fiquei sem respirar de tanto medo, nem passava pela minha cabeça que o SUS fazia parto induzido, na minha cabeça aquilo tomava tempo e exigia gastos que o governo não estava interessado, engano meu a saúde em nosso país está muito mudada e hoje em dia todos fazem o possível pra que a mulher tenha um parto normal. Voltando ao relato....

Depois de ser colocada no soro as minhas contrações continuaram como estavam nada mudou, a moça ao meu lado também foi colocada no soro no mesmo horário que eu mais eu ouvia que ela já dava uns gemidos diferentes, comecei a ficar assustada pensando que será que estava acontecendo com a coitada.Quando eram praticamente 12:00h essa moça ao meu lado levantou de um pulo e foi pro banheiro, quando voltou ela disse pra médica: Doutora minha bolsa acabou de estourar lá no banheiro. A médica respondeu: Já vou te examinar tá! os minutos foram passando eu ouvia aquela moça ofegante segurando pra não dar um grito e pensava meu Deus cadê a médica, depois de um tempinho a médica veio examina-la e disse: Ei tem alguma enfermeira pra me ajudar aqui nesse parto? eu pensei: Parto aqui? Duas enfermeiras vieram ouvi a médica pedir pra moça fazer uma força comprida (What?), e um minuto depois ouvi o chorinho ainda engasgado da bebe dela,meu Deus chorei na hora, como pode um bebê ter nascido ali bem do meu lado? e como foi tão rapido? e como ela ficou tão bem depois de tudo? A moça foi pro quarto e eu lá pensando: Ai Jesus da minha vida, daqui a pouco sou eu né segura na minha mão Deus..rs

As horas foram passando eu lá com as contrações igualzinhas sempre suportáveis e eu achando que não estava evoluíndo em nada, eu deitava levantava andava ia ao banheiro, cochilava acordava e nada mudava pra mim, ate que às 16:40h senti minhas pernas quentinhas olhei e era água e mais água que não parava de sair, pronto até que enfim tinha acontecido algo, na hora lembrei da moça que poucos minutos depois de romper a bolsa já tinha dado a luz e imaginei será que eu sou assim? A enfermeira veio me examinou e disse: Você está com 2cm de dilatação, tá indo super bem.

O que????? super bem? eu tava lá a um tempão e só tinha 2 cm como assim, eu ia ficar quantas horas naquela agonia, naquele soro e com aquelas contrações chatas.Mal sabia eu que depois do rompimento da bolsa tudo ia mudar, bastou alguns minutos e eu percebi que minhas contrações estavam beeem mais doloridas e ao invés de eu andar e tentar fazer algo pra acelerar meu trabalho de parto não eu resolvi deitar e ficar curtindo a dor, fiquei deitada do lado esquerdo na cama e só me mexia quando a enfermeira vinha pra me examinar, naquele momento eu já tava morrendo de dor não cosegui nem sentar, fiquei nervosa e só chorava porque percebi que ainda ficaria muitas horas naquela situação, me senti sozinha e pensava: Tomara que minha dilatação não evolua pra eu ir pra cesarea de uma vez! eu esqueci de tudo que tinha pensado antes e só queria me livrar da dor, se alguém me oferecesse a cesarea naquele momento eu ia aceitar na hora, mais eu estava no SUS isso nunca ia acontecer.

Por voltas das 18:00h uma troca de plantão e com isso as enfermeiras que jé nem davam mais bola pro meu choro e pros meus gritinhos de aiaiai foram embora, pra ser sincera eu nem queria mais que me examinassem eu queria ficar ali deitada até que alguém viesse e dissesse: ela vai pra cesarea. Isso Ficava ecoando na minha cabeça e eu perdi muito com isso, perdi tempo e senti mais dor do que precisava. Uma enfermeira veio me cutucou e perguntou: Ei, você tá dormindo? não faça isso, olha eu vou aumentar um pouco teu soro pra você não ficar tão quietinha assim. Na hora eu fiquei brava, eu não queria que a dor piorasse, eu (achava) já estava no meu limite, não agentava mais tanta dor.Em seguida uma outra médica me examinou e disse: Você está evoluindo super bem, está já com 4 cm de dilatação e a poucas horas você estava só com 2, viu que ótimo! mais agora tá na hora de você ajudar o seu bebê pra que ele não tenha que fazer tanto esforço, quero que você levante e ande um pouco e depois vamos fazer uns exercícios com a bola embaixo do chuveiro, tenho certeza que você vai se sentir melhor fazendo isso.Eu fui meio que arrastada pela enfermeira eu queria ficar encolhida na cama de tanta dor, nem pensar em andar muito menos em fazer exercícios com bola nenhuma, eu pensava: Ai Deus me tira daqui!

Entrei no chuveiro Às 19:00h achando que ia ficar toda relaxada e com menos dor, mais no momento que eu sentei naquela bola parece que eu ia morrer de tanta dor, minhas costas pareciam pegar fogo e parecia que tinham me cortado ao meio, as contrações nao tinham mais intervalo nenhum , era uma dor só, eu comecei a gritar lá dentro debaixo do chuveiro sozinha, pensando que ia morrer(Nossa!).Parece exagero mais na hora era isso que eu sentia, que ia morrer que aquilo não ia acabar nunca.Fiquei lá até não aguentar mais, chamei uma enfermeira e ela disse: Nossa mais você não ficou nada ai, tente ficar mais um pouco. Eu respondi que não aguentava nem mais um segundo ali, que queria voltar pra cama.Voltei pra cama e pensei: Nossa acho que fiquei no minimo uma hora lá. Olhei no relógio e eram 19:45h, nem uma hora eu aguentei! A médica veio me examinar e disse: Que beleza está com 7 cm! vamos de volta pro chuveiro? Eu respondi quase chorando: Num quero voltar...ela disse: Então faça o seguinte, fique deitada de lado e quando as contrações vierem respire mais devagar e descansse no intervalo entre uma contração e outra, porque daqui a pouco você vai começar a fazer força. Eu pirei de medo nesse momento, pensei: Como vou fazer força com essa dor? mal consigo respirar...

Quando eram 21:15h mais ou menos senti uma vontadezinha de ir ao banheiro fazer o numero 2, pensei comigo: Era só o que me faltava morrendo de dor ter que levantar daqui pra ir ao banheiro fazer cocô, ah nãooo! Chamei a médica e disse pra ela, e o que ela me disse foi: Não é cocô é o seu bebê que está descendo, se você sentir vontade de fazer força pra fazer cocô pode fazer, se acontecer de você fazer alguma necessidade aqui não se preocupe que ninguém vai estranhar, isso acontece muito! Depois que ela saiu de perto senti mesmo uma vontade de fazer força e fiz, nossa foi impressionate senti um alívio quando fiz isso, eu começava a força e meu corpo continuava fazendo a força sozinho, dali em diante toda contração que vinha eu fazia uma força bem demorada e sentia um alívio depois. Eram 22:45h quando uma nova médica chegou no centro obstétrico e veio me examinar, ela disse: Você já está com 9 cm, agora falta pouquíssimo! Eu me animei e fiz uma força enquanto ela fazia o toque em mim, nesse momento ela percebeu que meu bebê tinha mudado de posição e já não estava na posição correta com o rostinho pra baixo, ele estava de lado.

Fiquei mais alguns minutos fazendo força com a médica observando até que ela disse: Vou tentar mudar a posição do bebê com minhas mãos enquanto você faz força, mesmo que você sinta bastante dor não pare de fazer força. Naquele momento eu só queria que ele nascesse, a dor já não era um problema pra mim, depois que comecei a fazer força eu queria que a contração viesse logo pra que aquilo acabasse.Tentamos fazer como ela disse e mesmo assim não deu pra virar o bebê, em seguida ela já disse: Vamos te dar uma analgesia pra poder tirar seu bebê com o fórceps, sem isso não vai dar certo. Fiquei aliviada realmente estava acabando e logo meu filho estaria comigo, agradeci a Deus por tudo ter dado certo até ali, e que ele continuasse cuidando de nós.

Entrei na sala de parto por volta das 23:00h mais como a vontade de fazer força não passava demoru um pouco pra eu conseguir relaxar pra tomar a anestesia, fui anestesiada deitei e não senti mais nada, a médica fez o corte de episiotomia e em seguida colocou o forcéps, a pediatra ficou com a mão na minha barriga pra ver quando eu teria a proxima contração, não demorou muito e ela me disse pra fazer a maior força de todas que já tinha feito, eu fiz toda a força que podia, e senti como se minha barriga tivesse murchado, abri os olhos e ele estava bem ali na minha frente, demorou tanto mais depois saiu tão rápido que eu nem acreditei, todos na sala me deram parabéns dizendo que ele era um bebezão, a médica me perguntou o nome dele e eu disse: Benjamin!.Ele nem chorou e eu logo vi que era a cara do meu outro filho, era indêntico lindo.Chorei alíviada por ter acabado e contente por ter superado todos os meus traumas.Fiquei mais alguns minutos alí com a médica fazendo os pontos no corte da episio, não sei quantos pontos foram mais pra mim demorou uma eternidade, depois que tudo acabou eu sentia como se pudesse voltar pra casa naquela hora, fui pra uma sala de observação onde me trouxeram ele todo quietinho, fui pro quarto e meu marido veio em seguida a primeira coisa que ele me disse foi: Nossa! você fez parto normal viu só, eu disse que você conseguia! a felicidade dele por eu ter conseguido foi tanta, que parecia uma conquista dele e não minha..rs

As horas seguintes foram tranquilas e cada vez que eu me lembrava de como tudo tinha acontecido eu sentia um orgulho de mim, o sentimento que eu tive logo que ele nasceu foi de: Nossa como eu sou forte, nossa como eu aguentei toda aquela dor, meu Deus como o nosso corpo é perfeito! Eu me senti a mulher mais importante do mundo, me senti a pessoa mais abençoada de todas, venci todos os meus medos, passei por cima de mitos que estavam encalacrados na minha cabeça, eu me senti vencedora!Senti não só fisicamente mais também emocionalmente mais forte, me senti mais preparada pra cuidar do meu filho e principalmente senti o imenso amor de Deus pela minha vida e pela vida do meu filho, por ter tido a oportunidade de sentir essa emoção de além de gerar um filho saber que ele nasceu no momento que Deus tinha escolhido pra ele, e não o momento que o médico marcou na agenda como foi do meu primeiro filho que nasceu de cesarea por pura vaidade minha, um pouco de medo mais no fundo pura vaidade, pra não querer ficar esperando mais algumas semanas já que eu tinha tudo pronto, por não querer ficar horas e horas esperando por parto normal, não critíco quem fez cesarea por uma necessidade, mais quem fez como eu que sempre que me perguntavam porque ele tinha nascido de cesarea eu já tinha a resposta na ponta da lígua: Eu não tive dilatação! fazer cesarea só pra ter o pai ao lado segurando a sua mão, isso não fez a menor diferença pra mim, estar sozinha não foi um problema pois sei que Jesus estava lá segurando minha mão, e eu não precisei de mais nada pra me dar forças, em minha cabeça vinham pensamentos de que eu não ia conseguir mais em minha gestação tive pessoas carinhosas que me dizizm: Vá em frente Você vai conseguir, tenho certeza, Deus preparou você e seu corpo pra isso! Era nisso que eu pensava, era disso que eu me lembrava e bastou, se eu não tive ninguém ao meu lado foi porque Deus não achou necessario, as únicas coisas que eu precisava estavam lá e é assim que as mulheres devem pensar, quem disse que a dilatação não vem?quem disse que não dá pra induzir o parto? quem disse que o SUS não tem recursos? quem disse isso pra você, nunca esteve aqui no seu lugar, essas frases vinham em meu pensamento e eu fui ficando cada vez mais forte, Ah! se eu soubesse que seria assim eu jamais teria feito cesarea, até já pedi perdão pro meu filho por ter tirado ele da barriga desnecessariamente e antes da sua hora. Quando contei como foi meu parto muitos disseram: Ah! mais você ficou 13 horas em trabalho de parto? Nossa! coitada de você! Se eu fiquei todo esse tempo é porque isso era pra ter sido assim, foi esse o tempo que meu filho precisou pra vir ao mundo, não questiono mais as coisas, emesmo sabendo que a unica pessoa que pode questionar tudo isso sou eu, eu não questiono porque foi de grande valor pra mim passar por essa experiência, mudou minha forma de pensar, de agir, de falar, mudou minhas expectativas mudou minha fé, mudou tudo em mim. Eu agradeço à Deus todos os dias, agradeço ao meu marido que sempre orou e sempre sonhou ter um filho de parto normalporque de certa forma ele sabia que isso me faria bem, agradeço ao meu filho por isso, agradeço a você por ter lido isso até o fim porque se você leu tuuudo isso com certeza foi por um propósito, acredite. Espero ajudar mamães medrosas como eu ERA, e futuras mamãe a se encherem de coragem e força. Que Deus abençoe todos!



Flavia.


Assim somos nós, nas mãos do Nosso Deus !